Werther Santana|Estadão
Werther Santana|Estadão

'Não tem relação com SP', diz Alckmin sobre massacre envolvendo PCC no AM

Governador minimizou ligação entre as mortes em Manaus e facção criminosa, nascida em presídios paulistas na década de 1990

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

03 Janeiro 2017 | 13h24

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), minimizou a relação entre o massacre nos presídios do Amazonas e a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), nascida em São Paulo na década de 1990 e onde sua cúpula está presa atualmente.

"Não tem nenhuma relação com São Paulo, aqui não teve problema nenhum", disse o governador, na manhã desta terça-feira, 3, ao comentar o assunto, enquanto visitava uma obra no Butantã, na zona oeste de São Paulo.

O massacre, com 56 mortos, é atribuído a um conflito entre a facção paulista e o grupo Família do Norte (FDN), com sede no Estado da Região Norte.

"Organização criminosa você sempre vai ter. Se você pegar o livro sobre a Ilha Anchieta, que foi um presídio 70 anos atrás, já tinha facção criminosa. É claro: as pessoas se organizam. Ficam em uma penitenciária 1 mil, 2 mil pessoas, por anos e anos, formam uma rede. Isso existe em todo o lugar. Se você pegar a rebelião do presídio da Ilha Anchieta 70 anos atrás, como a Ilha Grande, no Rio de Janeiro, já existia", disse o governador. 

Na sequência, ele emendou: "O que é importante é você ter prevenção, inteligência, nós temos um sistema de inteligência, e penitenciárias de segurança máxima. Você isolar líderes do crime. A lógica do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) é romper o fluxo de dinheiro, à medida que você isola, tira a comunicação, quebra o fluxo de dinheiro".

Há três semanas, o Ministério Público pediu, e a Justiça atendeu pedido para transferência de toda a cúpula do PCC para presídios com RDD. O pedido incluiu o líder máximo da organização, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outros 13 integrantes.

As investigações que motivaram o pedido apontaram que, dentro das unidades gerenciadas pelo governo Alckmin, havia mapeados 1.001 detentos que transmitiam ordens para a prática de crimes para o lado de fora do sistema.

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