Não temos causa definitiva do apagão no Nordeste, diz Lobão

Falha causou interrupção de transmissão em PE e efeito dominó no resto da região; fornecimento voltou após as 5h

Renata Veríssimo e Renato Andrade, Agência Estado

04 de fevereiro de 2011 | 11h55

BRASÍLIA - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse no fim da manhã desta sexta-feira, 4, em entrevista coletiva, que o governo ainda não tem conhecimento da "causa definitiva" do desligamento de energia que atingiu oito Estados do Nordeste nesta madrugada. Segundo ele, a causa provável foi uma falha no sistema de proteção na subestação de São Luiz Gonzaga, em Pernambuco.

 

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Ele explicou que um dos dois circuitos da subestação teve um desligamento às 0h08 (horário de Brasília) desta madrugada e a tentativa de religá-lo provocou uma oscilação que desligou o segundo circuito. Para se proteger, o sistema desligou todas as linhas de transmissão. Como o sistema está conectado em cadeia, o problema se propagou. Apenas o Maranhão não foi atingido.

 

Lobão ressaltou, entretanto, que ainda é cedo para afirmar que a causa é realmente essa. "É a provável causa. Se depois verificarmos que o motivo foi outro, iremos informar", disse o ministro. Ele contou que conversou com a presidente da República, Dilma Rousseff, que frisou a importância de apurar a real causa do apagão.

 

Apesar de reconhecer que o problema possa ter ocorrido por uma falha humana, o ministro disse que não está trabalhando, inicialmente, com essa hipótese. "Tudo é possível, mas não estamos trabalhando com essa hipótese", afirmou. Lobão insistiu que apesar da dimensão do incidente, as falhas registradas no sistema elétrico brasileiro estão dentro da média registrada em outros sistemas no mundo. "As falhas no Brasil estão dentro das estatísticas mundiais", afirmou.

 

Ele informou ainda que não há um cálculo sobre possíveis prejuízos que tenham ocorrido por conta do desligamento do sistema. "Não temos esse dado, porque ainda é muito cedo. Nossa primeira preocupação foi religar o sistemas, o que fizemos ainda na madrugada", disse. Ele passou a noite em contato com Chesf e Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para descobrir as causas que levaram ao desligamento.

 

Reunião. Ele explicou que o restabelecimento do fornecimento de energia teve tempos diferentes em cada Estado, mas que, às 5h, o sistema estava totalmente normalizado. "Neste momento, a carga está completamente recomposta", disse. O ministro garantiu que não houve sobrecarga do sistema.

 

Lobão informou que segunda-feira fará uma reunião no Rio com ONS, Aneel, Chesf e todas as distribuidoras para fazer uma "radiografia completa" do que ocorreu e das medidas que foram adotadas. "Estamos trabalhando para que não aconteça novamente para definir as causas e trabalhar nas correções", disse o ministro.

 

Eventos esportivos. Lobão descartou também a possibilidade de que esses tipo de problema se repita e possa prejudicar eventos como os jogos da Copa do Mundo que ocorrerão em várias capitais em 2014. "Não temos preocupação que terá um acidente", disse. De qualquer forma, acrescentou que, por precaução , o ministério tem uma comissão que está trabalhando permanentemente até a Copa do Mundo, com absoluta atenção nas cidades sede dos jogos.

 

Lobão também elogiou o sistema elétrico brasileiro. "Não há sistema de energia mais moderno do que o brasileiro". Segundo ele, outras interrupções já ocorreram no passado, mas isso não faz o sistema brasileiro pior que o de outros países. "Pelo contrário, o nosso sistema é melhor do que na maior parte do mundo. Ele tem falhas, mas funciona muito bem", afirmou.

 

Multa. Segundo Resolução nº 63/2004 da Aneel, a Chesf poderá ser multada no valor correspondente a 1% do faturamento ou sobre o valor estimado de energia produzida nos últimos 12 meses por causa do apagão ocorrido nesta madrugada. A decisão sobre a multa depende de fiscalização local após recebimento do Relatório de Análise de Perturbação (RAP) do ONS.

 

(Com Marília Lopes, da Central de Notícias)

 

Atualizado às 12h11

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