'Não tinha dúvidas de que minha filha sofria maus tratos', diz mãe de Joanna

Mãe prestou depoimento em audiência de instrução e julgamento de médica indiciada por homício doloso; ela e um estudante de medicina deram alta à menina duas vezes

Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo

26 Outubro 2010 | 19h08

RIO - Cristiane Ferraz, mãe da menina Joanna Marcenal, morta aos 5 anos, em agosto deste ano, prestou depoimento nesta terça-feira, 26, na audiência de instrução e julgamento da médica Sarita Fernandes Pereira, chefe da Pediatria da Clínica Sol e Mar, na Barra da Tijuca (zona oeste).

 

Sarita é acusada de homicídio doloso por omissão na morte da criança. "Não tinha dúvidas de que minha filha sofria maus tratos, mas não tinha a dimensão", disse Cristiane após a audiência. Ela negou no III Tribunal do Júri que a filha sofresse de convulsões, como alega o pai da criança André Rodrigues Marins, preso por homicídio e tortura na segunda-feira.

 

A mãe confirmou que encontrou a filha no hospital em coma com hematomas, queimaduras e escoriações pelo corpo. Um perito médico legista do Ministério Público, Sérgio Cunha, foi a primeira testemunha de acusação ouvida. Ele responsabilizou Sarita e o estudante de medicina Alex Sandro da Cunha Souza, que atuava como médico na clínica e está foragido, pelo mau atendimento à Joanna. Os dois deram alta duas vezes à criança, que mais tarde foi internada em coma em outra clínica.

 

O perito apontou que Joanna deveria ter ficado internada em observação, realizado exames apropriados e questionou os medicamentos receitados por Sarita e Souza. Além do homicídio, a dupla também responde por estelionato, falsificação de documentos, exercício ilegal da medicina e tráfico de entorpecentes por prescrever drogas sem autorização.

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