''Não tiveram piedade ou pena. Vieram executar''

Ele pede justiça e diz que ninguém veio pedir desculpas ?por essa crueldade?

O Estadao de S.Paulo

08 de julho de 2008 | 00h00

"Eu quero falar do sofrimento de um pai que perdeu o filho de 3 anos. Ia fazer 4, no dia 29. Eu sou taxista. Saí no domingo para juntar um dinheirinho e fazer a festinha dele. Quando eu passei na Rua Conde de Bonfim, vi o carro da polícia com a metralhadora para fora. A passageira que estava no meu carro ainda comentou que alguma coisa estava acontecendo. Nunca ia imaginar que eles iam tentar executar a minha família. Eu sou uma pessoa de bem.Quando cheguei ao local, minha mulher ligou, dizendo que tinha largado o filho (Vinícius, de 9 meses) sem saber onde. Ela me relatou que um Stilo preto passou por ela a mil e viu a patrulha vindo atrás. Ela encostou o carro, como todos nós faríamos, para dar passagem à polícia, para perseguirem os bandidos. Eles não perseguiram os bandidos. Fecharam o carro da minha família e metralharam. Com minha mulher e duas crianças dentro. Uma criança de 9 meses e outra de 3 anos. Meu filho tomou um tiro na cabeça e está lá dentro morto. Não tem mais chance.Não houve troca de tiros. Se tivesse haveria outro carro baleado. É mentira. A minha mulher jogou a bolsa da criança pela janela, para alertar que tinha criança. Mas eles não pararam de atirar. Ela ainda abriu a porta e se lançou no meio das balas, para salvar os filhos. Minha mulher está cheia de estilhaços pelo corpo. Eles não tiveram piedade. Não tiveram pena. Eles vieram para executar. Que polícia é essa? Eu quero justiça. As pessoas têm de pagar pelo que fizeram. Eu não posso perder um filho de 3 anos para uma polícia como essa que está na nossa cidade. Eu não pago meus impostos para eles irem executar os outros.Até agora não fui procurado por ninguém. Ninguém veio me dar um acalanto, uma desculpa para essa crueldade que fizeram com minha família. Não pode em menos de um mês terem morrido três crianças à toa (nas ruas do Rio). Isso não pode ter acontecido."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.