Arquivo Pessoal
Jordi Vilsinski Beffa, de 24 anos, foi detido com cocaína em Bangcoc e está em isolamento Arquivo Pessoal

'Não vou sair dessa', diz em áudio brasileiro preso na Tailândia por tráfico de drogas

Textos e áudios foram enviados por Jordi Vilsinski Beffa, de 24 anos, pouco antes de ser detido; novo contato deve ser feito até o fim da primeira semana de março

Victor Faria, especial para o Estadão

23 de fevereiro de 2022 | 23h05

MARINGÁ - “Cuida da minha mãe. Eu peguei o celular aqui rápido, mas não sei quanto tempo vou ficar." Essas foram algumas das últimas falas de que se tem notícia de Jordi Vilsinski Beffa, de 24 anos, que foi preso na Tailândia por tráfico de cocaína. Dessa data em diante, nem família ou amigos tiveram novas informações sobre o jovem que está isolado, por protocolo do país asiático, devido à pandemia da covid-19.

O advogado de Beffa no Brasil, Petrônio Cardoso, conseguiu os áudios com um amigo do jovem, que recebeu as mensagens direto de Bangcoc. “Se um dia eu voltar, cuida deles por mim. Amo você. Se cuida irmão”, diz outro trecho da conversa por texto.

Junto aos prints da conversa, um áudio de nove segundos, em que a voz de Jordi está completamente abalada. “Qualquer coisa, cuida dos meus aí, tá bom? Obrigado, irmão. Abraço. Não vou sair dessa”, disse o jovem, que foi preso na segunda-feira da semana passada, dia 14, quando desembarcou na Tailândia e foi pego pelas autoridades locais.

Os pais do rapaz preferiram não conceder entrevistas. O advogado do caso aguarda o fim do protocolo de isolamento para tentar contato com Jordi e contratar uma defesa no país para auxiliar no processo. A expectativa é de que ele possa entrar em contato com o advogado e a família até o fim da primeira semana de março.

O advogado se mobiliza para fazer uma vaquinha para ajudar os pais do rapaz - que moram em um conjunto habitacional, na periferia de Apucarana (PR) - a conseguirem dinheiro para poder pagar pela defesa do jovem em Bangcoc. Lá, a pena por tráfico de drogas pode chegar a ser de morte.

O advogado, entretanto, trabalha com a hipótese de crime moderado. Alega que o rapaz era "mula" (pessoa que carrega as drogas, não necessariamente o traficante), o que resultaria em pena de 5 a 10 anos com possibilidade de extradição e cumprimento de pena no Brasil.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Relembre casos de brasileiros acusados de tráfico de drogas no exterior

Em uma década, pelo menos dois cidadãos do País foram executados na Indonésia, na Ásia

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2022 | 23h43

Nos últimos dez anos, pelo menos dois brasileiros acusados de tráfico de entorpecentes foram executados na Indonésia, país do sudeste asiático que mantém a pena de morte, como a Tailândia. No último dia 14, três jovens brasileiros foram presos ao desembarcar no Aeroporto de Bangcoc, capital do paíss, com 15,5 quilos de cocaína nas bagagens. A quantidade da droga, avaliada em cerca de R$ 7,5 milhões, pode resultar em condenação à prisão perpétua ou pena de morte, segundo as leis do país.

Em 2004, o instrutor de voo Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, foi preso por tráfico de drogas na Indonésia. Segundo a acusação, ele tentava entrar no país com 13 quilos de cocaína escondidos nos tubos de uma asa delta. A droga foi descoberta pelo raio X, no Aeroporto Internacional de Jacarta. Na ocasião o instrutor de voo livre conseguiu fugir do aeroporto, mas foi preso duas semanas depois.

Ele foi executado por um pelotão de fuzilamento em janeiro de 2015. A então presidente Dilma Rousseff divulgou na ocasião nota em que disse estar “consternada e indignada” com a execução do brasileiro.

Pouco tempo depois, em abril de 2015, o surfista paranaense Rodrigo Muxfeldt Gularte, de 42 anos, que também havia sido detido com 6 quilos da droga escondidos em uma prancha de surfe em 2004, na Indonésia, foi executado. Como foi diagnosticado na prisão com esquizofrenia, Dilma chegou a enviar carta ao presidente indonésio, Joko Widodo, pedindo a suspensão da pena de morte pelo quadro psiquiátrico do brasileiro, mas, assim como Moreira, Gularte acabou morto por um pelotão de fuzilamento.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.