Nardonis temiam deixar a menina com a madrasta

Filho do casal teria dito que ninguém teria entrado no apartamento

José Dacauaziliquá e Laura Diniz, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2008 | 00h00

A família de Alexandre Nardoni tinha medo de deixar a filha dele, Isabella, sozinha com a madrasta, Anna Carolina Jatobá. Segundo Ana Carolina Oliveira, mãe da menina, ouvida ontem como testemunha de acusação no processo que investiga a morte da filha, em 29 de março, era comum que a irmã e a mãe de Alexandre dormissem no apartamento do casal, para garantir a segurança da criança. Os motivos eram o excessivo ciúme da madrasta em relação à mãe e as discussões do casal.A mãe de Ana, Rosa Maria Cunha de Oliveira, confirmou o receio da família de deixar a menina com a madrasta. Anteontem, afirmações semelhantes foram feitas ao juiz do caso, Maurício Fossen, por uma ex-vizinha da família Nardoni, Benícia Fernandes. Ela disse que alertou a mãe de Alexandre, Aparecida, sobre o comportamento de Anna Jatobá. "Eu chamei a atenção da Cida umas três vezes. Falei que não devia deixar a menina ir ao apartamento com ela (madrasta) lá. Ela é tão maluca que a qualquer hora joga a menina lá de cima", teria dito a Aparecida, segundo a Assessoria de Imprensa do Tribunal do Júri (TJ) - os jornalistas não puderam acompanhar os depoimentos.Outra informação nova apareceu durante o depoimento do síndico do Residencial London, Antonio Lúcio Teixeira, ao promotor Francisco Cembranelli. O síndico contou que foi procurado por um morador do prédio, chamado Jefferson, que diz ter conversado com o filho mais velho do casal, Pietro, de 3 anos, minutos após o crime. O morador teria perguntado se alguém havia entrado no apartamento, e a criança disse: "Não, não, não". Questionado sobre o que havia acontecido com sua irmã, Pietro teria ficado ofegante e soluçado. "Quero que o Pietro seja ouvido", teria dito Anna Jatobá a Alexandre, neste momento. Cembranelli, que só tomou conhecimento do episódio ontem, informou que fez um requerimento ao juiz para que esse morador também seja ouvido. Mas ele descartou ouvir Pietro.O nono e último depoimento, de uma testemunha sigilosa, terminou às 22h44 de ontem. REENCONTROAna Oliveira entrou nervosa, mas, após ser acalmada pelo juiz, se manteve tranqüila durante as 2 horas e 15 minutos de depoimento e não pediu que o casal fosse retirado. Foi a primeira vez que eles se encontraram, desde o enterro da menina - ficaram a uns 2 metros de distância. Enquanto a mãe de Isabella falava, Alexandre e Anna Jatobá cochichavam.O depoimento foi parecido com o prestado à polícia. Ana relatou o início do namoro com Alexandre, a desconfiança de que ele a traía, as constantes menções ao nome da madrasta e a briga final, após uma festa. Em seguida, comentou a ameaça feita por Alexandre à sua mãe, por causa de discussão sobre a escola da menina, e outros momentos de atrito do casal. A principal pergunta da defesa foi os motivos que a levaram a crer na culpa do casal. Ela respondeu que foram alguns fatos de que teve conhecimento e não deu detalhes. Os advogados fizeram perguntas geralmente dirigidas a suspeitos, como qual roupa que ela usava na noite do crime, se trocou de roupa, com quem foi ao London, se conhecia alguém no 9º DP antes do crime, se é destra, se teve relacionamento amoroso com outros homens enquanto estava com Alexandre e se conhece alguém chamado Robson, entre outras. Também questionaram se a madrasta costumava pegar Isabella na escola, junto com Pietro. Após a resposta positiva, a defesa quis saber se isso significava que ela confiava na madrasta. Ana disse que, após o nascimento dos filhos do casal, ficou mais tranqüila.A mãe de Ana foi a terceira a depor, após o porteiro do London, Valdomiro da Silva Veloso. Durante seu depoimento, ela provocou reação negativa em Alexandre. Rosa negou que o ex-genro tenha retomado o relacionamento com sua filha porque ela estava doente - ela o afirmou à polícia, mas negou perante o juiz. O réu balançou a cabeça. Rosa falou que a filha decidiu terminar com Alexandre ao suspeitar de traição e ao descobrir que ele tinha 75 cheques devolvidos. "Não quero isso para a minha vida", é o que ela teria ouvido da filha. O pai de Ana, José Arcanjo de Oliveira, foi dispensado pelo juiz.

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