'Narrei o exemplo como fato', diz Bruno

Secretário estadual evita ir pessoalmente ao Conselho de Ética e, em nota, tenta explicar declaração ao 'Estado'

O Estado de S.Paulo

12 Outubro 2011 | 03h06

Ao se explicar, em documento enviado ontem ao Conselho de Ética, sobre a afirmação de que um prefeito lhe teria oferecido R$ 5 mil de propina por uma emenda parlamentar, o secretário estadual do Meio Ambiente, Bruno Covas (PSDB), afirmou que "de tanto repetir um exemplo didático" ao longo dos anos, acabou "narrando o exemplo como fato".

"No dia 3 de agosto concedi entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo e ao ser indagado sobre corrupção citei um evento que tenho usado nos últimos anos em palestras, encontros e conversas, para afastar qualquer tentativa de abordagem inadequada", sustentou Bruno.

"Um exemplo didático que, de tanto repetir, incorporei como discurso, e que tem como objetivo ressaltar os princípios republicanos que não se coadunam com qualquer oferecimento de vantagem, ou tráfico de influência. Assim, acabei narrando o exemplo como fato."

Em entrevista gravada à coluna Direto da Fonte, concedida há dois meses, o secretário deu a declaração ao responder se já havia passado por situação envolvendo corrupção. "Ah, já. Uma vez, consegui uma emenda parlamentar de R$ 50 mil para obra de um município. Assinamos o convênio e depois o prefeito veio perguntar com quem ele deixava os 5 mil", contou. "Respondi: 'Doa para a Santa Casa, eu que não vou ficar com isso'."

O secretário decidiu enviar suas explicações por escrito ao conselho para evitar ser confrontado com o áudio da entrevista.

Na carta enviada ontem ao órgão, Bruno lamentou o fato de a repercussão ter girado em torno da existência da suposta tentativa do prefeito, e não de sua negativa. "Infelizmente, embora tenha afirmado na entrevista e em vários outro locais e momentos, a necessidade de dizer não, o que ganhou repercussão, quase dois meses após a declaração, é se o exemplo é real ou hipotético."

O secretário afirmou que o conforta a utilização da entrevista como forma de classificá-lo como ingênuo e inexperiente.

"A entrevista em questão tem sido utilizada politicamente. Uns me acusam de ingenuidade e inexperiência. E isso me conforta. Afinal, o problema central que afeta a imagem dos nossos políticos no país não é ingenuidade, mas a falta de probidade e de caráter que permite o desvio de recurso e o uso inadequado do dinheiro público."

Sem fazer menção direta, o secretário pareceu evocar o nome do avô, o ex-governador Mario Covas, para reafirmar seus princípios. "Insisto que minha manifestação teve a única finalidade de reafirmar por princípio que abracei, inspirado no exemplo que puder testemunhar desde a mais tenra idade", disse. "Essa é a conduta republicana que deve pautar a vida de qualquer político, não importa a que grupo o partido possa pertencer. Insisto que a correção e a honestidade, em meu ideário, são obrigação e não virtude."

No final da carta, Bruno se colocou à disposição do conselho: "Reafirmo que estou à disposição caso não tenha esclarecido o fato em questão". / F.G. e F.S.

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