Nas ruas de SP, 72 buracos por hora

Época de chuva é sinônimo de centenas de buracos a mais nas ruas de São Paulo - em média, surge um a cada 50 segundos nas ruas e avenidas ou 72 por hora. Por dia, são de 1.500 a 2 mil buracos novos, de acordo com a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras. E a Prefeitura afirma que a situação melhorou para os motoristas em 2009, depois que foram recapeados, em 4 anos, 1.029 quilômetros de ruas e avenidas. Entretanto, esse programa sofreu um corte orçamentário e está paralisado.Números do governo mostram que, em janeiro e fevereiro, foram fechados em média 1.520 buracos por dia - um total de 85.129 até ontem. Nos períodos de chuva forte, como neste início de ano, o asfalto da capital se esfacela em uma velocidade muito maior do que a possibilidade de manutenção pelo serviço de tapa-buracos. Segundo a Prefeitura, há um "déficit" a ser coberto de cerca de 480 crateras a cada 24 horas."O recapeamento é a solução mais eficaz contra o aparecimento dos buracos, em vez dos remendos", diz a especialista em pavimentos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), Liede Bernucci. "A chuva acelera muito o surgimento de buracos porque a água tira a resistência do solo, que já vai acumulando os danos com o trânsito", diz. "Mesmo em faixas onde rodam veículos pesados, como na Avenida dos Bandeirantes, na zona sul, muitas vezes o asfalto é do tipo comum. Falta planejamento."O programa de recapeamento foi atingido pelo contingenciamento de verbas do orçamento municipal. "Os serviços não têm prazo para serem retomados e isso só deve ocorrer no segundo semestre", afirma o secretário municipal de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo. A retomada depende ainda de um estudo encomendado à USP, que vai mapear a qualidade do asfalto paulistano. Mas Matarazzo ressaltou que o programa já alcançou um patamar adequado. Para ele, "já foi feito mais do que em gestões anteriores". "Deixaram de aparecer 65 mil buracos por ano nas ruas, o que já é um ganho considerável."

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