Nas unidades, abandono e roubos

?Aqui é assim mesmo. Vivem entrando para roubar?, diz funcionário

O Estadao de S.Paulo

09 Agosto 2008 | 00h00

Se não fossem as duas grandes placas de isopor, colocadas no lugar das janelas, a água do temporal teria entrado na guarita. A caixa d?água também foi roubada. As caçambas para o depósito de entulho foram retiradas, e as baias de alvenaria que abrigavam madeiras, móveis velhos e podas de árvores estão abandonadas. Ao lado do ecoponto, em terreno baldio, moradores jogam o lixo misturado, onde cachorros e pássaros se alimentam. Na base do terreno em declive, uma grande plantação de hortaliças. Crianças jogam bola na Praça Mãe Preta, que um dia deu nome ao ecoponto da Vila Curuçá, desativado há pouco mais de um mês. "O fiscal falou que pode jogar o lixo aqui no terreno, que a Prefeitura recolhe. Estou aqui há um mês, e o caminhão veio duas vezes", diz o segurança. Depois dos roubos, ele cuida do ecoponto de dia - outros dois seguranças fazem o turno da noite. "Antes, as pessoas colocavam lixo separadinho. Agora, jogam tudo de qualquer jeito." No Ecoponto Alvarenga, na Pedreira, zona sul, uma montanha de lixo se acumula em um canto. "Arrombaram o cadeado e despejaram esse lixo. Mas aqui é assim mesmo. Vivem entrando para roubar", diz o atendente. Duas unidades que estavam em obras em Cidade Tiradentes nem chegaram a ser inauguradas, por causa dos roubos. "Roubaram o relógio d?água, fios, porta e janela. O ecoponto só tem efetividade se tiver educação ambiental", diz Valdecir Papazissis, coordenador do Núcleo Gestor de Entulho do Limpurb. No posto de Pinheiros, roubaram os fios, e em Santo Amaro, o relógio d?água. Por causa dos roubos, muitas subprefeituras solicitaram apoio da Guarda Civil Metropolitana. O secretário-adjunto da pasta das Subprefeituras, Ronaldo Camargo, diz que não sabia dos casos e que vai checar com as subprefeituras. "Crime de roubo ou furto de qualquer patrimônio público é inafiançável." CENTRAIS Teoricamente, a coleta dos reciclados deveria ser feita pelas 15 centrais de triagem cadastradas pelo Limpurb. Para tanto, a empresa paga R$ 370 mil por mês com as despesas com aluguel, energia elétrica, água e transporte, com a locação de três caminhões para cada central. A Prefeitura também cede equipamentos como esteira, prensa, fragmentador de papel e balança. No entanto, não há controle de quantas e quais centrais de triagem recolhem os materiais dos ecopontos. "Como o material reciclável é pouco, geralmente as duas concessionárias que atuam na cidade, Ecourbis e Logam, levam para uma central", diz Vagner Taveira, coordenador da coleta seletiva do Limpurb. Embora o material tenha de ser destinado para as centrais de triagem, uma cooperativa recolhe os recicláveis do Ecoponto de Perus. "Tem de ver qual foi a tratativa que a Subprefeitura de Perus fez com a cooperativa", afirma Taveira. Para Paulo Rogério dos Santos, diretor da ONG Pueras, um grupo de gerenciamento de resíduos recicláveis, uma campanha poderia aumentar a quantidade de material reciclado. "Com isso, ganham as empreiteiras, que recebem por tonelada de lixo transportada para os aterros", diz. Segundo o Limpurb, o transporte da tonelada de entulho para o aterro custa R$ 10. Segundo Santos, que participou da discussão do desenvolvimento do programa, os ecopontos deveriam ser minicentrais de coleta seletiva, fazendo o pré-beneficiamento no local e encaminhando, depois, para as centrais de triagem para a comercialização, já que a venda é feita em grande quantidade.

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