Naufraga acordo entre PT e Quércia

O acordo entre PT e PMDB, articulado pelo secretário de Governo da Prefeitura de São Paulo, Rui Falcão, e o ex-governador de Sâo Paulo Orestes Quércia, afundou na Câmara Municipal.Apesar das exigências dos peemedebistas não terem sido atendidas - o partido pleiteava a indicação da vereadora Myryam Athiê para a secretaria da Habitação -, pelo menos metade dos seis vereadores admitem votar a favor dos projetos governistas.Mesmo votando com o governo, vereadores do PMDB criticavam a posição ´intransigente´ do PT. "Eles querem os votos, mas não aceitam nossa participação no governo", reclama um vereador."O acordo entre os partidos ´micou´", ironizou um peemdebista. Os petistas temem que a participação do PMDB no governo cause problemas ao associar a imagem do PT a Quércia e a escândalos do PMDB em Brasília.Os tucanos aproveitam para criticar a postura de ambos. "O PMDB que agora quer apoiar o PT é o mesmo que deu base de sustentação ao Pitta e ao Maluf", acusa o vereador Dalton Silvano.O maior problema do PT é que a secretaria da Habitação é ocupada por Paulo Teixeira, militante do partido desde a sua fundação.Apesar disso, nos bastidores comenta-se que a indicação de Myryam - que já havia manifestado o desejo em assumir a pasta publicamente - ainda não está totalmente descartada, e pode ser anunciada ainda este ano.O vereador Carlos Apolinário (PMDB), que votou favoravelmente aos projetos governistas na primeira votação, tinha uma exigência para repetir o voto: a aprovação das mudanças no Programa de Silêncio Urbano (Psiu).Apesar de precisar do apoio de Apolinário, o PT não concorda com a redução da multa prevista para o ruído causado por templos religiosos.Segundo o projeto do peemedebista, a multa seria reduzida de R$ 16 mil para R$ 500. "Estou disposto a negociar a multa também", admite Apolinário.O presidente da Casa, José Eduardo Cardozo (PT), convocou nesta sexta-feira uma sessão extraordinária para votar em ritmo de rolo compressor 11 projetos de interesse do Executivo.Mas a composição do novo bloco governista enfrentou diversos problemas e revelou-se frágil. Depois de exaustivas negociações - inclusive uma a portas fechadas, no Anexo G da Câmara -, o líder do governo, José Mentor, deve levar os projetos ao plenário, com o apoio da base governista e do chamado ´Grupo dos Novos´.O bloco, formado por Celso Jatene e Paulo Frange (PTB), Antônio Goulart (PMDB), Antônio Carlos Rodrigues (PL), e Dr. Farhat (PSD) sofreu uma ´substituição´: sai Baratão (sem partido), e entra Rubens Calvo (PSB)."Não queremos cargos. Nosso bloco vai votar a favor dos projetos do Executivo para garantir a governabilidade da cidade", antecipou o líder dos ´Novos´, Celso Jatene.Um dos projetos levados a plenário mais criticados pela oposição foi o da ´minirreforma´ administrativa. De acordo com a proposta da prefeita Marta Suplicy (PT), o projeto de lei cria 788 cargos de confiança e extingue 953 cargos hoje ocupados por servidores concursados.Também foram criadas a Ouvidoria do Município e três novas secretarias municipais : Solidariedade, Desenvolvimento e Trabalho; Relações Internacionais; Comunicação Social.As secretarias serão preenchidas quase em sua totalidade por servidores indicados para cargos de confiança. "Não são secretarias da cidade e sim da prefeita Marta. Quando a Marta sair, todos vão embora e o último apaga a luz", critica o vereador Wadih Mutran.Segundo o líder do Governo, José Mentor, o projeto visa dar mais agilidade à administração pública.Durante a sessão, os servidores presentes na platéia protestaram e vaiaram vereadores governistas. No plenário, os vereadores do PSDB, que fazem oposição à prefeita, vestiam camisetas e exibiam faixas criticando o suposto ´trem da alegria´ do Executivo.A crítica mais frequente é que, como não possui uma base governista sólida, o governo estaria ´loteando´ as novas secretarias entre os chamados ´neo-aliados´ petistas.Também estava planejada a votação de bandeiras de campanha da prefeita Marta Suplicy, como o Bolsa-Trabalho e o Começar de Novo, além da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).A votação a altas horas foi a estratégia petista para evitar o desgaste maior: a presença dos servidores na platéia do plenário.

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