Naufrágio no AM é considerado o segundo maior em 10 anos

Acidente com maior número de vítimas nesse período foi da embarcação Ana Maria VIII, onde 52 morreram

especial para O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2008 | 20h54

O naufrágio do barco Comandante Sales 2008, ocorrido na madrugada do domingo passado, no Rio Solimões, já é considerado o segundo maior dos últimos dez anos no Amazonas, em número de vítimas. O quantidade de mortos deste acidente chega a 46. Nesta quarta-feira, 7, as equipes de resgate que "varrem" o rio Solimões em busca de desaparecidos encontraram mais 12 corpos, alguns, a até 30 quilômetros do local do naufrágio.  De acordo com o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Antônio Dias, entre os 12 corpos encontrados havia um homem e uma mulher que estavam juntos e foram resgatados a pelo menos 20 quilômetros de distância do local do acidente. Outros corpos foram localizados perto do encontro dos rios Negro e Solimões, próximos da Ceasa de Manaus (Central de Abastecimento do Amazonas), a 30 quilômetros de onde o barco Comandante Sales 2008 naufragou.  Ao todo, foram oito homens e quatro mulheres resgatados. O coronel Antônio Dias acredita que os corpos encontrados a quilômetros de distância são de pessoas que tentaram se salvar, mas, sem saber para onde nadavam, acabaram indo para o meio do Rio Solimões, e foram levados pela correnteza.  Para o prefeito de Manacapuru, Washington Régis, cidade natal de todas as vítimas do acidente, o número total de passageiros mortos na tragédia poderá chegar a 50. Nesta quarta, a estimativa era de que pelo menos dez pessoas continuavam desaparecidas. Diariamente, mais queixas de parentes reclamando por familiares desaparecidos chegam à prefeitura de Manacapuru e ao Corpo de Bombeiros. As buscas por corpos de desaparecidos ainda conta com um batalhão de aproximadamente 100 homens, entre agentes da Marinha, do Exército, dos Bombeiros e das policiais Civil e Militar. Um helicóptero e 14 lanchas são usados na operação.  Acidentes Em quantidade de vítimas, o acidente com o barco Comandante Sales 2008 é inferior apenas ao naufrágio da embarcação Ana Maria VIII, que afundou no Rio Madeira em 1999, também no interior do Amazonas, deixando 52 mortos. A informação é do 9º Distrito Naval, responsável pela fiscalização de barcos na Amazônia Ocidental (Amazonas, Roraima, Rondônia e Acre).  Nos últimos três anos ocorreram 50 naufrágios na Amazônia Ocidental, que vitimaram 64 pessoas. Ao todo, foram 132 acidentes (entre colisões e naufrágios) de 2005 a 2008, provocando 98 vítimas fatais. Só em 2005 houve 34 naufrágios na Amazônia Ocidental, segundo dados informados pela Marinha. Em 2006 foram nove e no ano seguinte 12. Com o naufrágio do barco Comandante Sales 2008 chega a dez o número de naufrágios só este ano na região.  A malha fluvial da Amazônia Ocidental mede, aproximadamente, 22 mil quilômetros. A Capitania dos Portos Fluvial da Amazônia Ocidental tem 550 homens para fiscalizar cerca de 16 mil embarcações (legais) que trafegam a região. Segundo o comandante da Capitania dos Portos, Dennis Teixeira, o número de agentes é suficiente para monitorar toda a região.

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