Naufrágio: sobe para 14 número de mortos

Bombeiros do AM estimam que haja até 12 pessoas desaparecidas

Liège Albuquerque, O Estadao de S.Paulo

23 de fevereiro de 2008 | 00h00

O número de mortos no naufrágio do barco Almirante Monteiro, anteontem no Rio Amazonas, chegou a 14 ontem, com o resgate de três corpos de crianças pelo Corpo de Bombeiros. Entre 4 e 12 pessoas continuam desaparecidas. O barco, que levava cerca de 110 pessoas, naufragou às margens da comunidade Novo Remanso, município de Itacoatiara, a 170 quilômetros de barco de Manaus. Dos 14 mortos, 8 são crianças. O naufrágio foi provocado pela colisão com uma balsa que transportava combustível.A busca por vítimas ou sobreviventes foi interrompida às 18 horas de ontem e deve ser retomada hoje de manhã. Dos passageiros, 70 embarcaram em Alenquer (PA) com destino a Manaus. Os outros embarcaram no trajeto até a capital amazonense, feito em cerca de 60 horas em tempos de cheia dos rios, como agora. Segundo a Polícia Civil, o comandante da balsa, Adejamar Vieira Andrade, afirmou, em depoimento ontem à tarde em Itacoatiara, que o barco naufragado estava navegando no curso errado. Andrade disse que seguiu seu curso normalmente depois da batida, pois acreditava que o barco havia sofrido apenas uma avaria no lado direito e não afundado. A proprietária do barco Almirante Monteiro, Perla Pinheiro Rodrigues, rebateu a informação. Segundo ela o comandante de seu barco, Raimundo Fonseca Loureiro, assegurou que estava em seu curso correto. "Não há nenhum passageiro que tenha testemunhado em contrário. Nosso barco estava em sentido correto. E não tem como ele dizer que o barco afundou e ele não viu. Ele fugiu sem prestar socorro", disse. Perla deccarou que ela e o marido viviam do que ganhavam nas viagem do barco há quase dois anos, fazendo trajetos entre o Amazonas e o Pará. De acordo com o comandante da Capitania dos Portos, Paulo Brito, um inquérito administrativo para apurar a responsabilidade pelo acidente foi aberto ontem e terá até 90 dias para conclusão. A Polícia Civil abriu inquérito criminal. Caso seja comprovada a culpa pelo acidente de um ou dos dois comandantes, ambos podem responder por homicídio doloso. O naufrágio do Almirante Monteiro é o primeiro com vítimas deste ano. Em 2005, o barco Almirante Sergimar bateu em uma balsa e naufragou matando 14 pessoas, com 44 sobreviventes, a 118 km de barco de Manaus. O Tribunal Marítimo ainda não foi julgou o caso.SOBREVIVENTESMorador de Manaus, o aposentado José Lopes Maciel, de 65, que quebrou o braço direito durante o naufrágio, estava aliviado ontem ao lado dos filhos. "Tinha ido ver meu pai, de 100 anos, que está doente em Alenquer e na minha família ninguém morre de acidente, graças a Deus."Maciel disse estar disposto a ser ouvido nos inquéritos para inocentar o comandante do barco. "Ele tentou de tudo, desviou, buzinou, fez sinal de luz e a balsa não desviou um centímetro. Além de tudo, a balsa não tinha nenhuma luz acesa", afirmou. Outro sobrevivente do acidente, o agricultor e morador de Alenquer Messias Saturno de Souza, de 35, afirmou estar disposto a depor em favor do comandante do barco em que viajava. "Já fiz essa viagem diversas vezes de Alenquer para Manaus e é sempre tranqüila. O problema é que esse pessoal que conduz balsas tem pressa."A Secretaria de Estado de Assistência Social deverá pagar os funerais de vítimas que moravam em Manaus e também o traslado para outros Estados, como Pará e Rondônia. A secretaria informou que também está providenciando passagens para sobreviventes que estavam indo para outros Estados. Hoje, o Instituto Médico-Legal (IML) liberou oito corpos já identificados. Todos os sobreviventes que passaram anteontem pelo ginásio de esportes foram cadastrados pela secretaria. Os que moram em Manaus devem começar a ser atendidos para tirarem segundas vias de documentos perdidos.

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