Navios e mergulhadores reforçarão busca em área de destroços

Já foram identificados diversos itens que compõe um avião em faixa de cinco quilômetros no Atlântico, diz Jobim

02 de junho de 2009 | 21h06

Dois navios-patrulha da Marinha brasileira chegarão ao local onde foram encontrados destroços do Airbus da Air France na quarta-feira, 3, por volta das 11 horas, com equipe de mergulhadores e equipamentos próprios para intensificar a operação de resgate do que sobrou do avião, informou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, nesta terça. Em entrevista coletiva, o ministro afirmou que já foram identificados diversos materiais que compõem uma aeronave (fios e metais) em uma faixa de cinco quilômetros de extensão, localizada a 1.200 quilômetros do Recife, próximo aos arquipélagos de São Pedro e São Paulo, dentro dos limites territoriais brasileiros.

 

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Jobim disse que o que for localizado pela Aeronáutica e pela Marinha na quarta-feira deverá ser transportado, por navios, até um local que fica a 400 quilômetros de Fernando de Noronha. De lá, helicópteros transportarão o material até Fernando de Noronha, onde peritos da Polícia Federal e do Instituto Médico Legal (IML) realizarão uma perícia. Segundo ele, a demora para chegar ao local ocorre porque que os barcos se deslocam a uma velocidade equivalente a 30 km/h.

 

 

O ministro revelou que já não há mais dúvidas de que os destroços já encontrados são do Airbus A330, que desapareceu na noite de domingo, dia 31, nas proximidades da costa brasileira. O avião da companhia Air France fazia o Voo 447 Rio-Paris e deveria ter chegado ao seu destina na segunda-feira, dia 1º, às 6h (horário de Brasília).

 

"Avistamos uma faixa de cinco quilômetros de destroços, o que confirma que o avião caiu naquele local." Ele destacou que as buscas estarão concentradas, a partir de agora, no local onde foram avistados os destroços. O ministro evitou falar nas hipóteses que levaram à queda do avião nessa região. Segundo ele, mesmo com os destroços de avião visualizados na superfície do oceano, é impossível dizer se o Airbus da Air France explodiu no ar.

 

Corpos

 

Jobim disse que já solicitou ao Ministério das Relações Exteriores que comunique ao governo francês que o governo brasileiro vai começar as buscas dos corpos, os quais serão encaminhados para Recife. "Não vamos disputar nada com ninguém, temos uma parceria com a França nessas buscas. Ficou claro que os corpos, se encontrados, serão conduzidos para Fernando de Noronha e para Recife num segundo momento", disse o ministro. Os navios da Marinha estarão equipado com botes salva-vidas para o caso de serem encontrados sobreviventes.

 

As investigações sobre as causas do acidente serão conduzidas pela França, afirmou Jobim. De acordo com ele, convenção da Organização de Aviação Civil Internacional da ONU determina que as investigações sejam conduzidas pelo país de registro da aeronave. Jobim acrescentou, no entanto, que todos os países que tinham passageiros dentro do voo devem colaborar com o trabalho. Perguntado se acreditava na hipótese de haver sobreviventes, o ministro afirmou: "Não trabalho com hipóteses". Ele reiterou que não há prazo para encerrar as buscas.

 

Sobre a caixa preta, o ministro admitiu que a busca será um trabalho "de grande dificuldade". Isso porque segundo ele, trata-se de uma região com profundidade de 2 mil a 3 mil metros.

 

Destroços

 

Aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) visualizaram nesta terça-feira, 2, destroços de uma aeronave no oceano Atlântico a cerca de 650 quilômetros de Fernando Noronha durante operação de buscas da jato da Air France que desapareceu com 228 pessoas a bordo. "Foram encontradas peças metálicas e não-metálicas, incluindo poltronas", disse à Reuters por telefone o chefe de relações de imprensa da Aeronáutica, o tenente-coronel Henry Wilson.

 

Entre os objetos estavam uma poltrona de avião, pequenos pedaços brancos, uma bóia laranja, um tambor, além de vestígios de óleo e querosene, informou a FAB em comunicado.

 

Um navio mercante holandês que estava em rota comercial desviou seu trajeto a pedido da Marinha e chegou ao local onde a FAB avistou os destroços, informou a Marinha, acrescentando que por enquanto a embarcação não relatou ter encontrado nada. Outros dois navios mercantes estavam a caminho do mesmo local. "Navios mercantes têm uma função específica de recolher sobreviventes, mas podem também nos passar informações se avistarem algum destroço", disse Henrique Afonso.

 

Voo 447

 

O Voo 447 levava 126 homens, 82 mulheres, 7 crianças e um bebê, além dos 12 tripulantes - 3 tripulantes técnicos e 9 comissários. Segundo a companhia, a aeronave entrou em funcionamento em 2005 e recebeu manutenção pela última vez em 16 de abril deste ano. O acidente é o mais grave da história da empresa, caso não sejam encontrados sobreviventes.

 

Segundo a relação divulgada pela Air France, dos passageiros do Airbus desaparecido, são 61 franceses e 58 brasileiros. Porém, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirmou que a Polícia Federal apurou que 52 brasileiros estavam no voo - mais tarde alteraram o número para 57 -, e muitos desses passageiros têm dupla nacionalidade - brasileiros com naturalidade francesa e vice-versa -, o que dificulta o trabalho de checagem na lista de passageiros, que está sendo feito com ajuda da Polícia Federal.

 

Além disso, viajavam 26 alemães, nove italianos, seis suíços, cinco libaneses, quatro húngaros, três eslovacos, três noruegueses, três irlandeses, dois americanos, dois espanhóis, dois marroquinos e dois poloneses. Havia também um cidadão de cada um dos seguintes países: África do Sul, Argentina, Áustria, Bélgica, Canadá, Croácia, Dinamarca, Islândia, Estônia, Gâmbia, Holanda, Filipinas, Romênia, Rússia, Suécia e Turquia. Ainda não há previsão para a divulgação da lista com o nome dos passageiros.

 

Causas

 

Os motivos para o desaparecimento do Airbus A330 da Air France seguem desconhecidos. A Air France fez um relato das horas seguintes a sua decolagem do aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, às 19h (Brasília), de domingo. Segundo a companhia, o avião atravessou uma zona de tempestades e turbulências fortes que poderiam ter afetado seus circuitos elétricos. Durante o voo, a 1.228 quilômetros de Natal, a aeronave informou perda de pressurização. O diretor de comunicação da companhia, François Brousse, declarou que também é possível que o avião tenha sido atingido por um raio.

 

Outra possível causa é a condição climática da região onde o avião teria desaparecido. Trata-se da chamada zona de convergência intertropical, onde há a formação de muitas áreas de instabilidade, com raios e tempestades. De acordo com a meteorologista da Climatempo, Fabiana Weykamp, esta hipótese não pode ser descartada, mas ela destaca que esta zona de convergência intertropical é muito conhecida de pilotos e companhias aéreas. Portanto, esta instabilidade da região seria levada em conta no plano de voo da aeronave da Air France.

 

A falta de explicações para o acidente obrigou o diretor-presidente da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, e o ministro da Ecologia e dos Transportes da França, Jean-Louis Borloo, a admitirem, ainda na noite de ontem, que a hipótese de ato terrorista não está sendo ignorada. "Nada pode ser descartado", afirmou Borloo. Embora o Brasil não seja alvo de ações terroristas, a França é, constantemente, objeto de ameaças provenientes de grupos islâmicos extremistas.

 

Mesma opinião foi manifestada pelo ministro da Defesa francês, Herve Morin. "Não podemos descartar um ato terrorista já que o terrorismo é a maior ameaça às democracias ocidentais, mas nesse momento não temos qualquer elemento indicando que tal ato tenha causado esse acidente", afirmou à rádio Europe 1, segundo a Reuters.

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