Navios estão na área dos destroços; resgate começa amanhã

FAB recolheu peças que poderiam ser de Airbus desaparecido; embarcação americana reforça esforços

02 de junho de 2009 | 16h27

Três navios mercantes de bandeira holandesa e francesa estão na área apontada pelos radares dos aviões da Aeronáutica, em busca dos possíveis destroços identificados, que podem ser do avião da Air France que fazia o voo AF 447 Rio-Paris. "Até o momento, não temos confirmação dos navios mercantes de terem avistado nenhum objeto no mar e essa identificação é a prioridade", disse o diretor da Comunicação Social da Marinha, contra-almirante Domingos Sávio Nogueira.

 

A FAB informou que aviões em operação de busca do voo AF 447, desaparecido desde domingo com 228 a bordo, visualizaram peças metálicas e não-metálicas, incluindo poltronas, e vestígios de óleo a aproximadamente 650 quilômetros a nordeste de Fernando de Noronha. Mais cedo, a Aeronáutica ainda não tinha confirmado que se os destroços são do Airbus A330 desaparecido. Durante esta tarde, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou, em entrevista coletiva, no Rio, que não há mais dúvidas que se trata do Airbus desaparecido.

 

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Cinco navios da Marinha brasileira foram enviados para a área onde foram encontradas as peças nesta manhã. As buscas estão sendo realizadas em uma área do Oceano Atlântico a cerca de 1.100 quilômetros de Natal na qual foram encontrados possíveis destroços do Airbus A330-200 da Air France. Os destroços encontrados só devem ser retirados do local nesta quarta-feira por volta do meio-dia, segundo fontes da Aeronáutica. É quando está prevista a chegada ao local do navio Patrulha Grajaú, da Marinha. A Aeronáutica deve divulgar ainda nesta terça um novo comunicado sobre a coleta dos destroços. Foram encontrados nesta manhã uma poltrona do avião, pequenos pedaços brancos, uma boia laranja e vestígios de óleo e querosene em área a 650 quilômetros a nordeste de Fernando de Noronha.

 

 

Um avião da Marinha americana foi enviado ao Brasil para se unir às buscas do avião da Air France, informou o Comando do Sul dos Estados Unidos.  A FAB também pediu a um navio mercante francês que estava próximo ao local que retorne ao local para ajudar nas buscas do avião. A assessoria de imprensa do Comando da Marinha confirmou que o primeiro navio brasileiro deve chegar ao local apenas na quarta-feira, 3, pela manhã.

 

Mais um Focker do Exército espanhol decolou nesta terça-feira, 2, das Ilhas Canárias para Cabo Verde para se juntar às buscas internacionais pelo avião da Air France desaparecido no Atlântico.  Com esse, já são três os aviões enviados pela Espanha à região do acidente, segundo informaram à Agência Efe fontes da Aeronáutica. O segundo Focker - o primeiro saiu na noite de segunda-feira, 1 - partiu para a ilha de Cabo Verde, onde se estabeleceu o dispositivo aéreo internacional de busca e resgate do avião da Air France.

 

O coronel do Serviço de Busca e Salvamento do Exército espanhol do Ar, Manuel de Diego, disse à Efe que o primeiro Focker, enviado ontem, já participou hoje dos trabalhos de busca e fez oito horas de voos de reconhecimento. O coronel ressaltou que "até o momento há muitas informações sobre a localização do avião da Air France, mas sem muita confiabilidade".

 

O coronel da Aeronáutica Jorge Amaral, da FAB, informou que às 22h35 da última segunda a Força Aérea fez varreduras com uso de radar em área sobre o Oceano Atlântico, a 1.200 quilômetros de Natal, onde teriam sido vistos pontos luminosos, segundo a tripulação de um avião da TAM.

 

Voo 447

 

O Voo 447 levava 126 homens, 82 mulheres, 7 crianças e um bebê, além dos 12 tripulantes - 3 tripulantes técnicos e 9 comissários. Segundo a companhia, a aeronave entrou em funcionamento em 2005 e recebeu manutenção pela última vez em 16 de abril deste ano. O acidente é o mais grave da história da empresa, caso não sejam encontrados sobreviventes. O avião deveria ter chegado a Paris às 11h de segunda-feira (6h, horário Brasília), mas perdeu o contato.

 

Segundo a relação divulgada pela Air France, dos passageiros do Airbus desaparecido, são 61 franceses e 58 brasileiros. Porém, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirmou que a Polícia Federal apurou que 52 brasileiros estavam no voo - mais tarde alteraram o número para 57 -, e muitos desses passageiros têm dupla nacionalidade - brasileiros com naturalidade francesa e vice-versa -, o que dificulta o trabalho de checagem na lista de passageiros, que está sendo feito com ajuda da Polícia Federal.

 

Além disso, viajavam 26 alemães, nove italianos, seis suíços, cinco libaneses, quatro húngaros, três eslovacos, três noruegueses, três irlandeses, dois americanos, dois espanhóis, dois marroquinos e dois poloneses. Havia também um cidadão de cada um dos seguintes países: África do Sul, Argentina, Áustria, Bélgica, Canadá, Croácia, Dinamarca, Islândia, Estônia, Gâmbia, Holanda, Filipinas, Romênia, Rússia, Suécia e Turquia. Ainda não há previsão para a divulgação da lista com o nome dos passageiros.

 

Causas

 

A investigação das causas do acidente foi entregue ao Escritório de Investigações e Análises para a Segurança da Aviação Civil (BEA), da França. Os motivos para o desaparecimento do Airbus A330 da Air France seguem desconhecidos.

 

A Air France fez um relato das horas seguintes a sua decolagem do aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, às 19h (Brasília). Segundo a companhia, o avião atravessou uma zona de tempestades e turbulências fortes que poderiam ter afetado seus circuitos elétricos. Durante o voo, a 1.228 quilômetros de Natal, a aeronave informou perda de pressurização. O diretor de comunicação da companhia, François Brousse, declarou que também é possível que o avião tenha sido atingido por um raio.

 

Outra possível causa é a condição climática da região onde o avião teria desaparecido. Trata-se da chamada zona de convergência intertropical, onde há a formação de muitas áreas de instabilidade, com raios e tempestades. De acordo com a meteorologista da Climatempo, Fabiana Weykamp, esta hipótese não pode ser descartada, mas ela destaca que esta zona de convergência intertropical é muito conhecida de pilotos e companhias aéreas. Portanto, esta instabilidade da região seria levada em conta no plano de voo da aeronave da Air France.

 

A falta de explicações para o acidente obrigou o diretor-presidente da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, e o ministro da Ecologia e dos Transportes da França, Jean-Louis Borloo, a admitirem, ainda na noite de ontem, que a hipótese de ato terrorista não está sendo ignorada. "Nada pode ser descartado", afirmou Borloo. Embora o Brasil não seja alvo de ações terroristas, a França é, constantemente, objeto de ameaças provenientes de grupos islâmicos extremistas.

 

Mesma opinião foi manifestada pelo ministro da Defesa francês, Herve Morin. "Não podemos descartar um ato terrorista já que o terrorismo é a maior ameaça às democracias ocidentais, mas nesse momento não temos qualquer elemento indicando que tal ato tenha causado esse acidente", afirmou à rádio Europe 1, segundo a Reuters.

 

Veja os contatos feitos pela aeronave:

 

- 19h30 (horário de Brasília) - a aeronave decolou do Aeroporto do Galeão

  

- 22h33 (horário de Brasília) - a aeronave realizou o último contato via rádio com o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta III), na posição INTOL que está localizada a 565 quilômetros de Natal (RN). Neste ponto, a aeronave informou que ingressaria no espaço aéreo de Dakar, a 1.228 quilômetros de Natal, às 23h20 (horário de Brasília).

  

- 22h48 (horário de Brasília) - a aeronave saiu da cobertura radar do Cindacta III, de Fernando de Noronha. As informações indicavam que a aeronave voava normalmente a 35.000 pés (11 quilômetros) de altitude e a uma velocidade de 453 KT (840 quilômetros por hora).

  

- 23h20 (horário de Brasília) - este era o horário estimado para o novo contado da aeronave, o que não aconteceu. O Cindacta III informou a falta de contato ao Controle Dakar.

 

 - 02h30 (horário de Brasília), desta segunda-feira (dia 1º), o Salvero Recife acionou os meios de busca da Força Aérea Brasileira (FAB), com uma aeronave C-130 Hércules e uma P-95 Bandeirante de patrulha marítima, além do Esquadrão aeroterrestre de Salvamento (PARASAR).

  

- 8h30 (horário de Brasília), desta segunda-feira (dia 1º) - a Air France informou ao Cindacta III que a aproximadamente 100 quilômetros da posição Tasil, a 1.228 quilômetros de Natal, o Voo 447 enviou uma mensagem para a companhia informando problemas técnicos na aeronave (perda de pressurização e falha no sistema elétrico).

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