Necropsia deve trazer informações à investigação

Os resultados dos exames necroscópicos das vítimas do voo 447 devem fornecer aos investigadores do Escritório de Investigações e Análises para a Aviação Civil (BEA, na sigla em francês) importantes pistas sobre a dinâmica do acidente. Além do trabalho de identificação dos corpos, legistas do Instituto Médico-Legal (IML) de Pernambuco e da Polícia Federal já foram orientados a examinar detalhes úteis à investigação, tais como o estado das vestes dos cadáveres retirados do mar e a quantidade de fraturas. Esses dados ajudarão o BEA a montar o quebra-cabeça da tragédia, sobretudo se as equipes francesas falharem na tentativa de resgate das caixas-pretas.O trabalho de investigação das vítimas deve seguir o rito normal. Ele começa pelo reconhecimento das características físicas e prossegue com a comparação das impressões digitais, sinais particulares (tatuagens, por exemplo), ficha odontológica, ficha médica, até chegar ao exame genético. Embora essa seja a ordem tradicional, nada impede que os legistas apliquem todos os procedimentos ao mesmo tempo para acelerar o processo de liberação dos corpos. A avaliação será feita caso a caso, conforme o estado dos cadáveres. Depois de quase uma semana no mar, expostos ao sol, chuva, água salobra e à fauna do Oceano Atlântico, tudo indica que os cadáveres apresentem certo grau de decomposição. Se por um lado a água do mar ajuda a conservar os corpos, de outro a corrente marítima quente atua de maneira oposta.Os testes genéticos são exames auxiliares. O grau de dificuldade técnica para a extração do DNA das vítimas também dependerá do estado em que os corpos chegarem. A água do mar pode prejudicar a obtenção do código genético das vítimas porque o organismo tende a funcionar como uma esponja, permitindo a entrada de água e sais. Mas isso não impossibilita o exame. Os peritos podem se valer de órgãos internos, dos cabelos e até mesmo do miolo do fêmur para a extração - foi do fêmur, por exemplo, que o DNA de muitas das vítimas do acidente com o Airbus da TAM, em 2007, foi recolhido para exame.Outra dificuldade prevista será identificar uma vítima que tenha sido adotada. Caso não haja possibilidade de coleta de material para comparação genética, os legistas terão de estudar outras alternativas. No caso do TAM, o exame genético só foi possível graças às amostras extraídas da escova de dentes de uma das vítimas.

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