Negociações continuam até em festa de casamento

Na cerimônia da filha de Henrique Alves, Temer já atua como 'pacificador' do acordo para comando do Congresso em 2011

Bruno Boghossian / RIO, O Estado de S.Paulo

07 Novembro 2010 | 00h00

O acordo firmado entre o PT e o PMDB para ocupar a presidência da Câmara em um esquema de rodízio pelos próximos quatro anos não foi suficiente, até agora, para criar uma harmonia entre os dois partidos.

O vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB), vai atuar como "pacificador" para evitar que a disputa pelo comando no primeiro biênio da nova legislatura (2011-2012) enfraqueça o bloco governista no Congresso.

"Será uma conversa paciente, com todos os interessados. É preciso chegar a um ponto em que a decisão de quem ocupa cada biênio não seja traumática, mas acordada", afirmou.

As negociações políticas foram mantidas durante o casamento de Andressa Azambuja, filha do deputado Henrique Eduardo Alves, candidato do PMDB à presidência da Câmara. A cerimônia realizada na sexta-feira, no Rio, se transformou em uma reunião da cúpula do PMDB com alguns aliados.

Alves perguntou por Temer assim que chegou à igreja onde aconteceu a cerimônia e passou os primeiros minutos da recepção ao pé do ouvido do vice-presidente eleito. A mesa do pai da noiva recebeu Temer, o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ).

Alves não esconde que prefere assumir logo a presidência da Câmara, mas diz que delegará ao partido a negociação com o PT, caso haja conflitos.

"Eu gostaria de ser o primeiro, pelos desafios palpitantes para o Legislativo, como a reforma política. Mas não serei ponto de discórdia, de jeito nenhum", disse.

O PT ainda não escolheu seu candidato ao comando da Casa, mas o deputado Cândido Vaccarezza é apontado como favorito.

Nos bastidores, acredita-se que o PMDB tem força para assumir a cadeira em 2011, mas Temer adota um discurso conciliador e avisa que levará tanto Alves quanto Vaccarezza a um encontro de parlamentares que acontece esta semana, na Argentina.

Senado. Diante da movimentação deflagrada para lançar o nome de Aécio Neves (PSDB) à presidência do Senado, Temer reagiu e afirmou que "o PMDB não vai abrir mão" do comando da casa. O vice eleito minimiza a articulação e admite que o envolvimento de partidos aliados na empreitada é "natural".

"O Aécio é uma grande figura, mas eu não vejo como violar o regimento do Senado, que determina que o maior partido ocupa a presidência", afirmou. "Até pode ser, se houver um grande acordo, mas a informação que eu tenho é de que o PMDB não vai abrir mão do Senado."

As negociações sobre o nome do candidato do PMDB ao comando da casa estão em fase inicial. José Sarney, Renan Calheiros e Garibaldi Alves são os mais citados, seguidos de Romero Jucá e Edison Lobão. Setores do partido, no entanto, entendem que o desgaste de Renan e Sarney pode enfraquecê-los.

No casamento da filha de Alves, Renan e Lobão chegaram atrasados à cerimônia, quando a noiva já saía da igreja. Eles cumprimentaram o deputado, mas não foram mais vistos na festa.

O deputado recebeu outros nomes do PMDB, como o ex-ministro Geddel Vieira Lima, o ministro da Agricultura Wagner Rossi, o ex-governador do Rio Moreira Franco e o senador Garibaldi Alves Filho.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.