Negociações serão retomadas nas primeiras horas da manhã

O secretário da Segurança, Marco Vinicio Petrelluzzi, estima que oito pessoas morreram durante as rebeliões de hoje nos presídios paulistas. "São cerca de oito mortos. Praticamente todos eles detentos, todos eles por ação praticada pelos próprios presos. Há dois mortos confirmados na Casa de Detenção, que nós ainda estamos avaliando mas que poderiam ter sido atingidos por soldados da muralha. Os soldados alegam que foram alvejados com tiros e que reagiram. Isso tudo vai ser verificado posteriormente. Há mortos no Centro de Detenção e há mortos também em Guarulhos". Madrugada tranqüilaA maior rebelião da história do sistema carcerário brasileiro, organizada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa criada em 1993, continuou em um impasse durante toda a madrugada. As negociações foram interrompidas por volta da meia-noite, e só devem ser reiniciadas nas primeiras horas da manhã. As rebeliões foram controladas em quase todos os presídios onde ocorreram. Apenas quatro deles, a Penitenciária do Estado e a Casa de Detenção, que formam o Complexo do Carandiru, e os Presídios de Franco da Rocha e Tremembé ainda resistem. Outras unidades menores, como Itirapina, Guarulhos 2, Araraquara e Avaré, também continuam rebeladas. A Penitenciária do Estado é apontada como o principal foco das rebeliões, pois é lá onde se encontram os líderes do movimento. Cerca de dez mil presos continuam rebelados e ainda mantém reféns perto de cinco mil parentes e amigos, que faziam visitas aos presos quando a rebelião teve início. Na Casa de Detenção, alguns dos reféns já foram libertados, em sua maioria familiares dos detentos. Cinco à tarde e mais quinze por volta das 23h30 de ontem, domingo. Às 04h45 da madrugada de hoje, mais um grupo de cerca de quinze pessoas foi liberado. O grupo saiu a pé e a movimentação na porta que dá acesso aos pavilhões não cessa, o que deixa a expectativa de que os outros reféns serão liberados em pequenos grupos até às 8h00, horário previsto para a retomada das negociações com a polícia. Um outro grupo, de cerca de 30 pessoas liberadas pelos presos deixou o Complexo em um caminhão da Tropa de Choque da Polícia Militar. Ainda não há informações sobre o destino desse caminhão. Alguns dos reféns libertados afirmaram que a situação dentro dos presídios é de calma, e que muitos dos parentes que ainda são mantidos dentro do Complexo não querem deixar as instalações, pois temem pela segurança dos rebelados. Teme-se um novo massacre, como o de 1992, quando 111 presos foram mortos durante a operação da Polícia.O secretário da Segurança Pública do Estado, Marco Vinicio Petreluzzi, fará um pronunciamento à imprensa, previsto para iniciar-se às 6h00, no Comando-Geral da Polícia Militar, no bairro da Luz, centro da capital Paulista.

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