Negócios da empresa cresceram a partir de ligação com Teixeira

A Master Top Linhas Aéreas (MTA), empresa montada pelo coronel Eduardo Artur Rodrigues da Silva, se especializou em contratar terceiros para serviços de transporte de cargas e prestar serviços de "despachante" para companhias brasileiras que compravam peças no exterior ou estrangeiras interessadas em operar no País. Os negócios da MTA só ganharam impulso em 2008, a partir da ligação de seu então presidente, o coronel Artur, com a VarigLog, empresa defendida pelo advogado Roberto Teixeira.

, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2010 | 00h00

Sem frota, a MTA foi registrada em 2006 na Junta Comercial de São Paulo por Jorge Augusto Dale Craddock e Anna Rosa Pepe Blanco, sogros de Tatiana Silva Blanco, filha do coronel Artur. Em dezembro daquele ano, conseguiu autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operar no setor de transporte aéreo de cargas e mala postal nacional e internacional por três anos, com possibilidade de prorrogação por mais sete anos. Em dezembro de 2009, conseguiu autorização de dez anos - prazo maior possibilitado pelas novas regras do setor.

A MTA iniciou seus voos próprios com um velho DC-10, modelo de avião fabricado nos anos 1970 e 1980, o mesmo que era usado pela antiga Varig na rota Guarulhos-Brasília. Muitos dos 17 aviões da companhia foram vendidos para pequenas empresas aéreas e transformados em cargueiros.

O sucateamento de companhias como Varig, Vasp e Transbrasil garantiu a frota de pequenas empresas de carga que nunca tiveram linhas de financiamento definidas pelos bancos oficiais, avaliou um antigo dirigente do extinto Departamento de Aviação Civil (DAC). Foi o caso da empresa do coronel Artur.

Ao longo de 2008, a MTA adquiriu outros três DC-10 e passou a operar na concorrida rota Campinas-Manaus. E também passou a atuar na linha Guarulhos-Brasília e Guarulhos-Nordeste. A MTA ainda faz charters entre Campinas e Miami.

Ascensão. O aumento dos negócios da MTA significou a ascensão social da família nos banquetes do setor. Entre 24 e 26 de junho de 2008, Tatiana era uma das quatro representantes de empresas aéreas privadas que acompanharam dirigentes da Anac, secretários dos ministérios do Turismo e das Relações Exteriores em encontro com autoridades de Washington para discutir normas de voo entre os dois países. Ainda integravam o grupo uma subordinada do coronel Artur na VarigLog e representantes da TAM.

Coronel Artur é homem de hábitos simples, dizem duas pessoas que participaram com o militar da reserva de rodas de conversas de lobby. Formado na Escola Preparatória de Cadetes do Ar, em 1965, ele trabalhou na Força Aérea Brasileira e no DAC. O estilo "duro" é outra marca. Sindicalistas reclamam que o coronel não atendeu, até agora, pedido de conversas com a categoria.

Discrição. Nos corredores e gabinetes da empresa, funcionários dizem que ele é homem discreto. Foi assim que o coronel acompanhou o presidente Lula em viagem a Israel e à Palestina, em março. Estava no grupo de convidados pelo Itamaraty para fazer negócios no Oriente Médio. A jornalistas, coronel Artur disse que tinha planos "maiores" e pretendia buscar parcerias com empresas israelenses que tinham interesse em operar a rota Tel Aviv-São Paulo.

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