Wilton Junior/AE
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Nelson Jobim nega reabertura do processo de caças

Ministro diz que após decisão há ainda um período de negociação, que pode durar até um ano, mas que anúncio deve sair este ano

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2011 | 00h00

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, negou ontem que a presidente Dilma Rousseff tenha cogitado a possibilidade de reabrir licitação ou adiar os prazos para definição da compra de novos caças para a Força Aérea Brasileira (FAB). Em visita ao Complexo do Alemão, no Rio, para inauguração de uma agência do Banco do Brasil, ele classificou de "balbúrdia" informações de que a presidente tenha considerado reabrir o processo para entrada de novos candidatos.

"Está claro que essa balbúrdia está sendo criada por empresas que não são concorrentes e querem entrar no processo", afirmou o ministro. Ele negou a volta ao páreo do caça russo Sukhoi-35. "Os russos foram desqualificados lá atrás. No início do processo", declarou.

O ministro disse ter a expectativa de que o vencedor da licitação seja anunciado este ano. Apesar de negar, de forma enfática, o adiamento da escolha do modelo de caça a ser comprado para 2012, Jobim admitiu que, na prática, o processo será lento. "Uma vez decidido, há mais, no mínimo, 12 meses de negociações complexas, que envolvem transferência de tecnologia, os off sets diretos e indiretos e o contrato financeiro, que define a forma como isso será negociado. Isto aconteceu com os submarinos", declarou.

A decisão sobre a compra, ponderou Jobim, não deve sair nos próximos dias. Segundo o ministro, o País enfrenta "uma situação de emergência por causa das chuvas" e este não seria o momento ideal para uma definição.

Concorrentes. Disputam a venda de 36 caças ao Brasil a francesa Dassault (tida até o fim de 2010 como favorita), com o Rafale; a norte-americana Boeing, com o F-18 Super Hornet; e a sueca Saab, com o Gripen. A russa Sukhoi foi eliminada. Também já demonstrou interesse em entrar no processo a Lockheed, dos Estados Unidos.

O preço do pacote que inclui aviões, armas, logística e transferência de tecnologia varia. A proposta francesa é de US$ 6,2 bilhões, a norte-americana de US$ 5,7 bilhões, e a sueca de US$ 4,5 bilhões.

O lobby dos três concorrentes voltou ao noticiário após a visita ao Brasil do senador republicano John McCain, que disputou as eleições presidenciais com Barack Obama. Ele disse em encontro com Dilma que os norte-americanos também estão dispostos a negociar a transferência de tecnologia e sinalizou que o Congresso americano não fará oposição. Por esta mesma garantia, os caças franceses sempre contaram com a simpatia do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O grande empecilho do caça sueco é que a aeronave ainda é apenas um projeto.

Além dos caças, o ministro negou que a presidente tenha a intenção de rever a compra dos 11 navios para a Marinha. O negócio é avaliado em R$ 10 bilhões. "A Marinha ainda não concluiu as consultas necessárias. Logo, isto é absolutamente falso."

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