Nem o maior orçamento per capita garante aterro em Brasília

Com quase R$ 18 bilhões de caixa próprio, além do Fundo Constitucional, capital federal [br]ainda recorre a lixão

João Domingos, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2011 | 00h00

Brasília, a cidade que proporcionalmente ao número de habitantes tem o maior orçamento da América Latina, ainda não tem aterro sanitário. A capital da República tem R$ 17,9 bilhões de caixa próprio, mais R$ 8,7 bilhões do Fundo Constitucional do Centro-Oeste, totalizando R$ 26,6 bilhões anuais para uma população de cerca de 2,6 milhões, contra R$ 35 bilhões do município de São Paulo, cuja população é de 10,8 milhões.

Enquanto não providencia o aterro, Brasília joga o lixo num terreno onde surgiu uma invasão, hoje transformada em cidade-satélite de renda muito baixa, a Cidade Estrutural, a cerca de 15 quilômetros do Palácio do Planalto. Mas, de acordo com informações do governo de Brasília, o aterro sanitário ficará pronto antes do prazo estabelecido pela lei e pelos princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos. A ideia é potencializar a redução, a reutilização e a reciclagem dos resíduos, incluir os catadores nesse processo e utilizar a disposição final em aterros como último recurso.

Projeto. O aterro sanitário que substituirá o lixão ficará próximo à Estação de Tratamento de Esgoto de Samambaia, cidade-satélite a 25 quilômetros do Palácio do Planalto. A área já tem licenciamento ambiental e está pronta para ser estruturada. O governo estima investir R$ 40 milhões para a construção.

Também deverão ser construídas outras quatro usinas de tratamento de resíduos (hoje existem duas, uma na Avenida L4-Sul e outra no setor P-Sul, na cidade-satélite de Ceilândia, a mais populosa do Distrito Federal), 12 unidades de triagem em parceria com as cooperativas de catadores, além de cem ecopontos, para transbordo de entulhos de pequenos geradores, e um polo de reciclagem.

O edital para a construção do novo aterro será publicado ainda neste semestre, de acordo com informações do governo, e o prazo para a construção é de um ano. Desse modo, a capital do País pretende ser uma das primeiras a cumprir as determinações da Lei dos Resíduos Sólidos e a dispensar o lixão.

O atual lixão deverá passar por um processo de despoluição, já que não haverá mais o aterramento de lixo. Esse processo deverá demorar de 10 a 15 anos, visto que a área contém gases acumulados ao longo do tempo pelo processo de decomposição do lixo. De imediato será criado um polo de reciclagem na região, para aproveitar a mão de obra dos catadores no local.

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