Nenê de Vila Matilde vive drama da queda

Rebaixada pela primeira vez, escola promete voltar para a elite em 2010

Lais Cattassini e Fabio Mazzitelli, O Estadao de S.Paulo

25 Fevereiro 2009 | 00h00

O sofrimento era anunciado. A Nenê de Vila Matilde havia feito um desfile fraco e problemático. Ao lado da Unidos do Peruche, a agremiação terá de disputar o Grupo de Acesso em 2010 pela primeira vez em 60 anos de história no carnaval paulistano. Ontem, durante a apuração, a quadra da Nenê ficou fechada e os componentes se refugiaram em um pequeno comércio na frente da sede para conferir as notas. "Era esperado. Com o carnaval que fizemos, não tinha dúvida", lamentou o pintor Rafael Almeida, de 35 anos. Até mesmo seu Nenê, de 87 anos, fundador da escola, esperava o resultado. "Já no domingo disse que todos ficariam tristes depois da apuração. Pude ver pelo olhar dos outros que teríamos problemas", afirmou, após o resultado final. A consciência de que a Nenê seria rebaixada deu ânimo aos componentes para realizar um carnaval mais luxuoso em 2010. "Ano que vem a gente vai fazer um carnaval para voltar de onde não deveria ter saído", declarou Alberto Alves da Silva Filho, o Betinho, presidente da escola e filho de seu Nenê. O fundador não vê problema no rebaixamento. "Descer faz parte da festa também", disse seu Nenê, lembrando que a agremiação que fundou sempre fará parte da história do carnaval de São Paulo. "Tivemos grandes vitórias. Começamos com um tricampeonato." Fundada em 1949, a Nenê conquistou o primeiro título em 1956. No total, a escola contabiliza 11 taças do carnaval paulistano, mas só cinco desses títulos foram a partir de 1968, marco inicial dos desfiles para a Liga das Escolas de Samba. Naquele ano, o então prefeito Faria Lima começou a subsidiar os desfiles e reorganizou o carnaval. De 1968 a 1970, a Nenê de Vila Matilde foi tricampeã. O último título da escola da zona leste foi em 2001, mas o carnaval inesquecível foi em 1985, quando levantou a taça e foi convidada a participar do desfile das campeãs na Marquês de Sapucaí, o Sambódromo do Rio. Até hoje, é a única escola de São Paulo que conseguiu tal feito. No Grupo de Acesso, a Nenê reencontrará em 2010 a Camisa Verde e Branco, dona de nove títulos e que não conseguiu voltar ao Grupo Especial. "Escolas tradicionais como Nenê e Camisa não podem ficar fora da elite. Lamento pelo rebaixamento", diz Gabriel de Souza Martins, o mestre Gabi, histórico mestre-sala da Camisa.

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