Neonazistas iriam atacar sinagogas, diz delegado

Grupo estaria se preparando para realizar atentados; buscas nas casas de simpatizantes resultaram na apreensão de material alusivo a Hitler

Carlos Rollsing, PORTO ALEGRE, O Estadao de S.Paulo

20 de maio de 2009 | 00h00

Ofensivas realizadas na segunda-feira contra residências de militantes gaúchos do grupo neonazista Neuland, que em alemão significa nova terra, resultaram na apreensão de mais de 300 peças alusivas a Adolf Hitler. Camisetas, botas, livros, CDs, DVDs, cruzes, facas e bombas foram encontrados nas casas de membros da facção em Porto Alegre, Viamão, Cachoeirinha, Caxias do Sul e Bento Gonçalves. O titular da 1ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, Paulo César Jardim, acredita que, apesar de nenhuma prisão ter sido efetivada, a ação evitou ataques terroristas em sinagogas do Rio Grande do Sul. "Não podemos prender ninguém por pensar, cultuar ou planejar. Mas, felizmente, conseguimos fazer o mais difícil: abortar tragédias futuras. Eles estavam prestes a explodir uma sinagoga", assegurou o delegado. Quatro dos cinco donos do material apreendido são procurados para prestar depoimento. O Neuland tem cerca de 50 membros identificados pela Polícia Civil no Estado. A matriz do grupo está em São Paulo, contando ainda com ramificações em Santa Catarina e no Paraná. O líder nacional é o paulista Ricardo Barollo, de 34 anos, que está preso, suspeito de duplo homicídio, em penitenciária paranaense. Ele é acusado de ter encomendado ao gaúcho Jairo Fischer, em abril, a morte de um casal curitibano. Fischer está detido no Paraná sob a acusação de ter cometido os assassinatos. Segundo o delegado Jardim, o grupo importa armamentos pesados da Argentina. Em várias fotos e vídeos apreendidos, os neonazistas posam com pistolas e metralhadoras. "Ainda não sabemos onde estão as armas. Mas a nossa busca por flagrantes é permanente", afirmou o delegado. A parcela gaúcha da facção estaria se preparando para fazer ataques contra judeus, homossexuais, negros e punks. Os neonazistas brasileiros ainda trocam conhecimentos ideológicos com admiradores do ditador Adolf Hitler no Chile, na Inglaterra e na França. No Rio Grande do Sul, 25 militantes foram denunciados à Justiça. Parte deles já cumpriu pena. Jardim afirma que dez assassinatos ocorridos nos últimos 60 dias no País são investigados por demonstrar vinculação com o Neuland. O delegado nega que a liderança gaúcha do grupo seja exercida por Jairo Fischer. De acordo com Jardim, a identificação do comandante gaúcho da facção vai ser mantida em sigilo para não atrapalhar as investigações.

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