Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Netinho rebate ataques sobre ex-mulher

Candidato ao Senado se explica para eleitores, mas se recusa a dar entrevistas individuais e cancela participações em debates

Adriana Carranca, Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2010 | 00h00

Ele sentiu o golpe. Seja ao negar a presença em debates, com no do Estado/TV Gazeta na terça-feira, seja ao se explicar para seu eleitorado, Netinho de Paula, candidato ao Senado pelo PC do B, mudou de estratégia e passou a reagir aos ataques dos adversários, especialmente no que se refere ao episódio de agressão à ex-mulher, em 2005.

"Vocês têm visto os ataques, vão inventar muita coisa", discursou ontem para garotas, mulheres e senhoras emocionadas - e alguns rapazes - na Cohab do Rincão, na Vila Matilde. "Até parece que vocês não sabiam do que aconteceu, que eu já não pedi desculpas. Eles usam isso porque são desconexos do povo."

Em apoio, o candidato do PT a deputado estadual, Adriano Diogo, completou: "Quem são eles para acusar o Netinho de bater em alguém depois de bater no povo por 400 anos?". Aplausos do público.

Telma, cabo eleitoral de ambos na zona leste da capital, reconheceu que, na época em que o episódio da briga veio à tona, ela, "como fã", ficou triste. "Mas não sabemos o que acontece entre quatro paredes. Eu já sofri agressão do meu primeiro marido e já agredi. Por incrível que pareça, as mulheres dão mais apoio a ele do que os homens."

Exposição. Para não arriscar ter de se explicar também aos adversários políticos, Netinho não dá mais entrevistas individuais e cancelou participação em debates e programas de rádio e TV. Netinho aprendeu que, contrariando o senso comum no meio artístico, nem sempre a exposição pública no papel de candidato tem efeito positivo.

Os marqueteiros avaliam que a imagem do político Netinho, líder na disputa de acordo com pesquisa Datafolha de sábado, é menos importante que a do cantor Netinho, que fala com fãs no corpo a corpo da campanha. Por isso, a coordenação da campanha decidiu blindá-lo na reta final da corrida às urnas.

Quem está nas ruas fazendo campanha não é o ex-vereador de Carapicuíba - sua única passagem por um cargo público -, mas o ídolo. O personagem que ele vende na campanha não é o do parlamentar, mas do mano da Cohab que virou artista. Seu jingle tem a mesma melodia que levou o grupo Negritude Júnior às paradas de sucesso.

Quem segue Netinho em sua campanha não é o eleitorado, mas um fã-clube. Especialmente as mulheres - que gritam histericamente quando ele aparece e entoam um "ão, ão, ão, votem no Negão" - não tratam de demandas políticas. Imploram para ser sua "princesa por um dia".

Netinho nega que esteja usando a estratégia de isolamento. "Sempre atendi a todos, só não fui no debate", disse ontem. Isso até as pesquisas de intenção de votos apontarem a liderança de Netinho na disputa ao Senado, ao lado da petista Marta Suplicy, na semana passada.

Mal-estar. A subida nas pesquisas incomodou até os aliados da coligação. Quem trabalha nos bastidores da campanha do PT diz que o mal-estar é evidente. Até a ascensão de Netinho, Marta liderava a corrida. A aposta do PT era a de que conseguiriam emplacar ela pela extensa bagagem política e ele, pela popularidade.

Só não contavam com os problemas de saúde de dois candidatos da oposição. Com a renúncia de Orestes Quércia, a expectativa é sobre a volta de Romeu Tuma, ainda afastado da campanha. Sem os dois na cena, o temor é que os eleitores deles migrem para Aloysio Nunes (PSDB), o que pode alçar o tucano a uma das vagas no Senado, tirando de cena Marta ou Netinho.

"O Netinho é um ídolo. A popularidade dele é inacreditável, basta ver o que acontece quando ele está em campanha. Não tem como segurar isso! Já a Marta tem uma imagem consolidada e grande aprovação do eleitorado. A aposta do partido e da coligação continua sendo nos dois, é inevitável", diz o presidente do PT de São Paulo, Edinho Silva.

O PT passou a apresentar Netinho e Marta como o "time de Lula", ao lado do candidato ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante. A recomendação é de que Marta e Netinho, que vinham cumprindo agenda separadamente, passem a se apresentar juntos. "Dá para eleger os dois e vamos continuar trabalhando para isso", insiste o coordenador da campanha do PT em São Paulo, Emídio de Souza.

Ataque

NETINHO

CANDIDATO AO SENADO

"Vocês têm visto os ataques, eles vão inventar muita coisa"

ADRIANO DIOGO

CANDIDATO A DEPUTADO ESTADUAL

"Quem são eles para acusar o Netinho de bater em alguém depois de bater no povo por 400 anos?"

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