José Patrício/ Estadão
José Patrício/ Estadão

Nhá Chica entra para lista de beatos reconhecidos pela Igreja Católica

Cerca de 30 mil pessoas compareceram ao anúncio da beatificação, em Baependi, no sul de Minas

José Maria Mayrink - Enviado especial,

04 Maio 2013 | 17h42

BAEPENDI (MG) - A mineira Francisca de Paula de Jesus ou Nhá Chica foi beatificada na tarde deste sábado, 4, em Baependi, sul de Minas, entrando para uma lista ainda restrita de apenas 5 santos e 80 beatos brasileiros reconhecidos pela Igreja Católica. Desse total, 37 nasceram no País e 48 são estrangeiros que viveram aqui.

Demorou mais de um minuto para a multidão perceber que Nhá Chica já era beata e aplaudir a declaração do cardeal Angelo Amato que lhe dava esse título em nome do papa Francisco. Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, o cardeal leu um texto em latim, em seguida traduzido para o português, no qual informava que o pedido de beatificação, feito por d. Diamantino Prata de Carvalho, bispo de Campanha, havia sido atendido.

"Viva a nova beata Nhá Chica!", gritou d. Diamantino ao microfone. Foi então que o povo bateu palmas agitando bandeirinhas brancas com a imagem de Nhá Chica em fundo azul. Eram 31 mil pessoas, segundo a Polícia Militar. A missa começou pontualmente às 15 horas, sob sol a pino, todo mundo suando muito e disputando as garrafas de água mineral distribuídas por voluntários.

Após a declaração de que Nhá Chica já era beata, a professora Ana Lúcia Meirelles Leite, acompanhada de sua neta Laura, de 9 anos, aproximou-se do altar e entregou ao cardeal Amato uma relíquia da santa, um pedaço de osso do antebraço que será levado para o Vaticano. Ana Lúcia é a beneficiária do milagre aprovado para a beatificação. Ela sofria de defeito congênito no coração e deveria ser operada após sofrer uma isquemia. Os médicos cancelaram a cirurgia, ao constatar que ela estava curada, alegadamente por intercessão de Nhá Chica.

Na homilia de 13 minutos que leu após a leitura do Evangelho, o cardeal Amato exaltou as virtudes de Nhá Chica sem se referir ao milagre. Lembrou a origem e a vida humilde de Francisca de Paula de Jesus, neta de escrava e filha de ex-escrava, que viveu em Baependi vida de monja sem ter entrado num mosteiro. "Nhá Chica rezava muito, era adoradora do Santíssimo Sacramento e tinha profunda devoção a Nossa Senhora", lembrou o cardeal, convidando os fiéis católicos a imitar o exemplo da nova beata.

O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência da República, representou a presidente Dilma Rousseff. O governador de Minas, Antônio Anastasia, que também assistiu à cerimônia, disse ter a esperança de que Nhá Chica seja a primeira santa nascida no Brasil, pois até agora só existe um santo, Frei Galvão de Sant'Anna Galvão. É pouco provável que seja Nhá Chica, pois o processo de canonização da baiana Irmã Dulce, beatificada em 2011, está mais adiantado.

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