Niemeyer desiste de praça e envia projeto para arquivo

Arquiteto diz que intervenção no Plano Piloto de Brasília está ''provisoriamente'' suspensa

Alexandre Rodrigues, O Estadao de S.Paulo

05 Fevereiro 2009 | 00h00

O arquiteto Oscar Niemeyer desistiu da construção de uma praça projetada por ele na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Apesar de o projeto ter provocado a reação negativa de muitos brasilienses e levado o Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) a invocar o tombamento do Plano Piloto, o arquiteto vinha insistindo no empreendimento. Mudou de ideia e ontem anunciou que desistiu "provisoriamente" do projeto. Ele manifestou a decisão em um artigo publicado no jornal Correio Braziliense. O Ministério Público Federal também havia entrado na polêmica, garantindo que pediria o embargo da obra se o projeto contrariasse o decreto de tombamento que proíbe edificações na Esplanada.No artigo, Niemeyer admite que, aos 101 anos, estava envolvido "com entusiasmo" no debate dos últimos dias, mas foi desestimulado pelas notícias sobre as dificuldades financeiras do governo do Distrito Federal para tirar o plano do papel. Diante disso, ele diz ter se reunido com seus "companheiros de Brasília" e decidido enviar os desenhos para seu arquivo. "O único pensamento que nos ocorria era, compreensivos, agradecer o apoio que o governador, com inegável interesse, nos dera e pôr de lado - provisoriamente - a ideia que muito nos entusiasmara", escreveu, enviando o projeto para seu arquivo."Há esperança, quem sabe, de um dia a sua realização tornar a ser cogitada", afirmou, depois de admitir já ter imaginado ver a praça construída. No artigo, Niemeyer agradece o apoio recebido de vários amigos dispostos a defender seu plano de construir o Memorial dos Presidentes com um obelisco e um estacionamento para 3 mil automóveis, mas registra que, embora lamente magoá-los, sente "certo alívio em pôr um ponto final a essa celeuma". O arquiteto ainda informa que, mais tranquilo, retomará agora a leitura do mais novo livro do amigo José Saramago e as aulas domiciliares de cosmologia e filosofia. "O que mais importa não são as tarefas que às vezes com sucesso realizamos, mas sim a luta por um mundo mais justo e solidário", concluiu o comunista. Niemeyer foi procurado pelo Estado, mas os funcionários do seu escritório informaram que ele não estava e não quer mais falar no assunto.

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