Nigro Conceição é eleito presidente do TJ/SP

O desembargador Sérgio Nigro Conceição, de 66 anos de idade e 41 de magistratura, é o novo presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJ).Candidato da ala conservadora, apoiada pela situação, Nigro Conceição foi eleito para o próximo biênio com 84 votos. O candidato da oposição, Álvaro Lazzarini, 65 anos, de corrente mais liberal e apoiado pelo Movimento de Renovação e Valorização da Magistratura, obteve 43 votos.A primeira vice-presidência será ocupada pelo desembargador Luís Macedo, atual corregedor-geral da Justiça, candidato único, que obteve 103 votos.Para a Corregedoria-Geral da Justiça foi escolhido o desembargador Luiz Elias Tambara, com 92 votos contra 34, obtidos pelo desembargador Jorge Menezes Gomes. Os três eleitos vão dirigir o Tribunal de Justiça e compor o Conselho Superior da Magistratura.A seguir, em sessões em separado, os desembargadores da seção criminal elegeram Denser de Sá para o cargo de segundo vice-presidente; os da seção de Direito Privado, por aclamação, elegeram Mohamed Amaro, para a terceira vice-presidência; e os desembargadores da seção de Direito Público indicaram Dimas Borelli para a quarta vice-presidência.Nigro Conceição assumirá a presidência no dia 2 de janeiro em meio à maior crise da história do Judiciário paulista. Enfrentará restrições orçamentárias impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal, congestionamento nos serviços de cartórios, resultado de 80 dias de greve dos servidores, e falta de verba para preencher cerca de 10 mil vagas, entre as quais 144 juízes, cujo concurso não é realizado há dois anos.Em sua primeira entrevista como presidente eleito, Nigro garantiu que o acordo celebrado entre o TJ e o Judiciário, que resultou no fim da greve, será respeitado.Vai empenhar-se na estruturação de um plano de carreira, que abra perspectivas de progresso para os servidores. Para Nigro, a falta de verbas deve ser suprida pela "criatividade e pelo trabalho", cortando-se todos os gastos supérfluos.Nigro disse que se reunirá com as lideranças políticas da Assembléia Legislativa, às quais levará os problemas mais prementes do Judiciário. Ele acredita que a solução para a questão orçamentária possa surgir na esfera legislativa e política, com maior aproximação e diálogo entre os três poderes.Na próxima semana, ele pretende reunir-se com um grupo de trabalho para viabilizar a execução do plano de ação que traçou. Os objetivos mais prementes referem-se ao provimento dos cargos vagos e à modernização do Judiciário, com aprimoramento da informática, que contribuirá para agilizar a prestação jurisdicional.Nigro Conceição reconhece que "o trabalho a ser desenvolvido exige um esforço muito grande, a começar pelos problemas financeiros. Assim, a elaboração correta do orçamento com a devida programação e seus recursos é essencial".

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