Fábio Motta/AE
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Niterói arrecada 100 toneladas de doações para vítimas das chuvas

Maior centro de recolhimento de donativos, Clube Canto do Rio funciona 24 horas; atriz Sônia Braga se juntou ao grupo: 'Moro aqui do lado, não dava para ficar em casa'

Gabriela Moreira, de O Estado de S. Paulo

13 de abril de 2010 | 19h25

RIO - Já somam 100 toneladas o volume de doações recebidas em Niterói para atender as vítimas das chuvas na cidade. O maior centro de recolhimento de donativos, o Clube Canto do Rio, no centro, funciona 24 horas. Somente neste local, 40 toneladas entre mantimentos, produtos de limpeza e higiene, roupas e acessórios como colchões e travesseiros foram entregues. Até agora, 7 mil pessoas foram beneficiadas.

 

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Para ajudar a organizar o material, uma legião de voluntários trabalha de 8h às 22h. São estudantes, escoteiros, donas de casa, guardas municipais e quem mais se apresentar. No meio do grupo, uma voluntária se destaca. Não pela fama que já lhe é de direito, mas pelo dinamismo com que organiza o trabalho à sua volta. "Moro aqui do lado, não dava para ficar em casa", diz a atriz Sônia Braga, pouco depois de mandar um outra voluntária à papelaria comprar etiquetas. "É o que está precisando de mais emergencial? Então compre logo", orienta a atriz, explicando: "Sem etiquetas não temos como identificar o que tem dentro dos kits."

 

O destino das doações são 100 abrigos espalhados por Niterói, além de outras cidades como a vizinha São Gonçalo, Acari, na zona norte do Rio, e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Nos kits, além de roupas e mantimentos, Sônia incluiu sacos plásticos. "É para as pessoas organizarem o que receberem. Nosso objetivo é dar o máximo de conforto possível. Elas precisam se sentir em casa, mesmo estando nos abrigos", diz.

 

Além do clube, colégios particulares estão recebendo doações. Somente no Instituto Abel, 60 toneladas foram arrecadadas. Os quartéis do Corpo de Bombeiros também estão precisando de colaboradores, uma vez que grande parte do efetivo está trabalhando na retirada dos corpos vítimas dos desabamentos. A ajuda pode ser de todas as idades. "Passei a manhã ajudando a fazer comida para o pessoal do resgate. Cortei e descasquei legumes e também separei os ingredientes do almoço", contou a escoteira Marcela Lelis dos Santos, de 13 anos, no último sábado.

 

Falta

 

Mesmo com a ajuda de dezenas de voluntários, o Canto do Rio ainda precisa de colaboradores, sobretudo durante a semana. Segundo o sargento Paulo Miranda, da Defesa Civil de Niterói, não há previsão para a interrupção dos trabalhos. "Não sabemos por quanto tempo as pessoas ficarão nos abrigos. As doações não podem parar", explica.

 

Além de força de trabalho, o centro precisa de fraldas geriátricas, enlatados, colchonetes e roupas íntimas em bom estado. Roupas de adultos, no entanto, não são mais necessárias. No Rio, a prefeitura, por meio da Guarda Municipal e da Secretaria da Ordem Pública, já arrecadou 80 toneladas de donativos até a última segunda-feira.

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