Nível de abstenção já é praticamente igual em todas as regiões

Índice vem caindo nas Regiões Norte e Nordeste, onde sempre foi maior, e crescendo no Sul e Sudeste

Alexandre Calais / SÃO PAULO e Liege Albuquerque / MANAUS, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2010 | 00h00

Apesar de o voto ser obrigatório no Brasil, todos os anos um contingente médio de 15% a 20% dos eleitores deixam de comparecer aos locais de votação. Essa abstenção é comumente atribuída, entre outros fatores, à dificuldade de acesso dos eleitores aos locais de votação, ao analfabetismo e à migração para outros Estados, características em geral relacionadas às Regiões Norte e Nordeste - onde a abstenção realmente sempre foi maior. Mas esse quadro vem se alterando.

Na eleição presidencial de 1989, o índice de abstenção no Norte, o mais alto entre as regiões do País, chegou a 25%, enquanto no Sudeste, o mais baixo, foi de 7%, segundo números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2006, essa diferença regional havia praticamente desaparecido: a abstenção foi de 19% no Norte, a mais alta, e de 15% no Sul, a mais baixa.

Uma das explicações para esse movimento, de acordo com o cientista político Jairo Nicolau, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), seria a maior eficiência da Justiça Eleitoral na questão dos cadastros de eleitores. "A Justiça tem sido muito mais eficiente na questão dos cadastros, já fez campanha de recadastramento de eleitores em várias regiões, vem conferindo com mais rigor os nomes, e isso tudo deve ter ajudado a diminuir a abstenção no Norte e Nordeste", diz.

Outra hipótese levantada por ele é a diminuição da migração para outros Estados, já que, historicamente, é grande o número de eleitores que mudam de Estado e não transferem os títulos. Só como exemplo, na eleição de 2006, nada menos que 808 mil eleitores justificaram o voto em São Paulo, dos quais 206 mil originários da Bahia.

Nicolau, de qualquer forma, descarta que a abstenção possa ter um papel decisivo no resultado das eleições deste domingo. Ele temia que a exigência de dois documentos (o título de eleitor e um documento com foto) para ter acesso às urnas pudesse aumentar o índice de abstenção. Mas, com a derrubada da exigência pelo Supremo Tribunal Federal (STF), acredita que esse impacto agora será "residual".

Rubens Figueiredo, cientista político e diretor-geral do Centro de Pesquisas e Análises da Comunicação (Cepac), tem opinião parecida. Para ele, a abstenção só poderia ter um impacto nos resultados da eleição se, por algum motivo, uma grande concentração de eleitores que votassem num mesmo candidato deixasse de comparecer às urnas. Mas, numa eleição como a presidencial e para governador, onde são computados milhões de votos, dificilmente isso poderia fazer alguma diferença.

Estiagem. No Estado do Amazonas, um dos fatores que impulsionam a abstenção é o fato de que as eleições sempre ocorrem no trimestre da estiagem do Rio Amazonas. Para este ano, a previsão é de que deixem de comparecer aos locais de votação boa parte dos cerca de 8 mil ribeirinhos isolados em comunidades por conta da estiagem, em números da Defesa Civil Estadual.

"Eu diria que, mais que as abstenções, o grande problema da estiagem são os valores para a logística de distribuição e remoção das urnas", diz o diretor-geral do Tribunal Regional Eleitoral do Estado, Pedro Batista.

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