Nível de rio sobe e ameaça estrada de Santa Catarina

Rodovia ficou interditada no fim do ano passado por causa das fortes chuvas que atingiram Estado

Priscila Trindade, Central de Notícias

10 de setembro de 2009 | 16h23

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Santa Catarina passou a monitorar na manhã desta quinta-feira, 10, o nível do Rio Araranguá, no sul do Estado, na divisa com o Rio Grande do Sul, devido ao risco de transbordamento de água na BR-101.

 

Veja também:

link Previsão de mais chuva deixa 55 municípios do Paraná em alerta

mais imagens GALERIA: Imagens da chuva e do caos em SP na terça

blog BLOG: Acompanhe a situação do trânsito na cidade

lista COMENTE: Twitter do estadao.com.br

mais imagens PARTICIPE: Sofreu com a chuva? Mande sua foto

especial ESPECIAL: Temporal fora de época para São Paulo

video VÍDEO: Trânsito parado e alagamentos em SP  

 

O nível da água esta a 1,5 metros acima do normal. O trecho com maior chance de alagamento fica entre os kms 405 e 412, em Araranguá. Em novembro do ano passado, esse ponto da rodovia ficou interditado por cerca de quatro dias em função das fortes chuvas (leia abaixo).

 

Nesta quinta, por causa das chuvas, subiu para 64 o número de municípios em estado de emergência no Estado. Em Guaraciaba, no extremo oeste, quatro pessoas morreram e a cidade decretou estado de calamidade pública.

 

Tragédia em Santa Catarina

 

Entre os últimos meses de 2008 e o início de 2009 Santa Catarina passou por uma tragédia. Ao todo, 135 pessoas morreram por causa dos temporais, principalmente em municípios da faixa litorânea do Estado. Por causa dos deslizamentos de terra, alagamentos e transbordamentos de rios, mais de 30 mil pessoas ficaram sem casas na região. Famílias viveram o drama de perder tudo o que tinham.

 

A principal região afetada foi o Vale do Itajaí, banhada pelo rio de mesmo nome. Trechos inteiros de rodovias foram danificados por causa de desmoronamentos de encosta, cidades ficaram incomunicáveis e sem energia por dias. Em período de alta temporada, a estimativa de prejuízo para o setor turístico foi de R$ 120 milhões. Ao todo, a estimativa de perdas para os setores econômicos da região chegou a R$ 300 milhões.

 

Para ajudar no resgate de pessoas e corpos, o Exército, a Força Nacional de Segurança (FNS) e agentes do Corpo de Bombeiros de outros Estados se mobilizaram. Em uma semana, houve 4 mil deslizamentos de terra apenas na região do Morro do Baú, uma das mais atingidas. Com medo de perder tudo o que tinha, famílias se recusavam a deixar suas casas e precisavam ser removidas à força.

 

O restante do Brasil, na época, se mostrou solidário. Várias pessoas colaboraram doando comida, roupas e dinheiro para a reconstrução de lares. No entanto, o espírito de ajuda não foi compartilhado por todos: pessoas responsáveis pela triagem do material doado acabaram recolhendo peças e mantimentos para si. Desde civis até soldados do Exército estavam envolvidos no furto de doações.

 

Depois de tudo, vieram as doenças. Ainda com chuvas, as cidades começaram a viver surtos de leptospirose devido à grande quantidade de lixo e animais mortos que ficaram nas águas. Centenas de pessoas acabaram contaminadas pela doença.

 

Para ajudar na reconstrução das cidades, o governo concedeu benefícios para moradores e empresas das regiões atingidas. Impostos poderiam ter pagamentos adiados; fundos monetários foram liberados para criação do "bolsa enchente" e o governo federal repassou verbas para os Estados e municípios.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.