Mauro Vieira/Agência RBS
Mauro Vieira/Agência RBS

No 2º dia de júri, testemunhas lembram relação conturbada de Bernardo com o pai

Menino foi morto em 2014; pai e madrasta são acusados. Ex-babá elencada pela defesa para depor passou mal

Luciano Nagel, Especial para O Estado

13 de março de 2019 | 01h16

PORTO ALEGRE - O segundo dia de julgamento dos quatro acusados de assassinar o menino Bernardo Boldrini, de 11 anos, no interior do Rio Grande do Sul, contou com o depoimento de seis testemunhas, durante oito horas de sessão. A primeira a falar, na manhã desta terça-feira, 12, foi a vizinha da família Boldrini, Juçara Petry, por quem Bernardo tinha um carinho especial e a quem tratava como mãe.

Durante as declarações, Juçara se emocionou várias vezes ao se lembrar do garoto e, antes de prestar depoimento, solicitou à juíza a retirada dos quatro réus da sala, o que foi aceito. Nas declarações, a vizinha ressaltou que, na companhia do marido, incentivava a aproximação de Bernardo com o pai dele, o médico Leandro Boldrini, acusado pela morte. Também afirmou que costumava ajudar o garoto com os deveres da escola e que havia escutado pedidos de socorro do menino.  

Durante o depoimento, ela recordou as vezes em que Bernardo chegou em sua casa mal vestido. "Ele chegava da escola com a roupa suja e não tinha outra, então eu lavava a roupa dele, colocava um pijama e, no outro dia, o levava para a empresa, e lá ele ficava comigo, fazia os temas", disse a empresária. Juçara depôs por cerca de 3 horas. 

À tarde, a psicóloga de Bernardo prestou depoimento. Ariane Schmitt afirmou que atendeu o garoto em seis consultas. A primeira sessão ocorreu em 2011, depois que mãe do menino, Odilaine Uglione, se suicidou. A psicóloga comentou sobre medicamentos de uso controlado que o menino costumava carregar e que administrava por conta própria. Para Ariane, Leandro Boldrini é um homem "tangencial, periférico, sem vínculo e empatia". 

Durante a sessão, vídeos de Bernardo se trancando em um armário e segurando uma faca enquanto era filmado pelo pai foram exibidos para os jurados. 

Uma das testemunhas afirmou que ouviu a própria madrasta de Bernardo, a enfermeira Graciele Ugulini, também acusada pelo crime, reclamar que “não aguentava mais o guri, que tinha de internar em um colégio e que dinheiro ela tinha pra dar um fim no guri", disse Andressa Wagner, ex-secretária de Leandro Boldrini, aos jurados. 

Andressa também contou que Graciele pedia que ela “expulsasse” o garoto do consultório médico do pai. Já a testemunha elencada pela defesa de Leandro Boldrini, a ex-babá do menino Lori Heller respondeu apenas a questionamentos pontuais e 15 minutos após as primeiras declarações passou mal e teve de deixar a sessão com pressão alta. 

De acordo com o Tribunal de Justiça, o julgamento deve durar mais três dias.

O caso

Bernardo desapareceu no dia 4 de abril de 2014. O corpo foi encontrado no dia 14, enterrado em um matagal, em Frederico Westphalen, a 80 quilômetros de Três Passos. A polícia prendeu a madrasta, Graciele Ugulini, o pai de Bernardo Leandro Boldrini, a assistente social Edelvânia Wirganovicz e o irmão de Edelvânia, Evandro Wirganovicz, como suspeitos do crime.  

A investigação apurou que o garoto era rejeitado pela madrasta, sofria com o descaso pai e havia pedido à Justiça para morar com outra família. Por acordo proposto pelo pai e aceito por Bernardo no início daquele ano, haveria uma tentativa de reaproximação familiar. Foi nesse período que o menino foi assassinado.

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