No ABC, bingos tão lotados que nem fecham

Gerentes de casas relatam que não conseguiram alvarás na capital

Renato Machado e Rodrigo Pereira, O Estadao de S.Paulo

19 de novembro de 2008 | 00h00

A decisão judicial que permite à Liga Regional Desportiva Paulista e aos bingos associados a ela funcionarem é considerada inválida pela maioria das cidades da Grande São Paulo. No entanto, os estabelecimentos permanecem abertos ou sempre voltam a operar com casa cheia. "O volume é muito grande. Pelo menos 20,5 mil pessoas entram diariamente. Vêm aqui porque fica na boca da Estação Celso Daniel e porque sabem que o jogo não é ilegal", diz Adilson Santos, gerente do Bingo Estação, no centro de Santo André.Ontem, em plena hora do almoço, mais de 300 pessoas acompanhavam os telões e os gerentes de mesa anunciarem as bolas sorteadas. A casa, reaberta há um ano, tem funcionamento ininterrupto - 150 funcionários se revezam em três turnos todos os dias. Promoções diárias, como o "Domilhão" ou a "Quinta-feira premiada", prometem prêmios mínimos de R$ 1 mil por rodada ou R$ 1,5 mil a cada hora.Há nove meses administrando o local, Santos mostra que o público, apesar de ser predominantemente idoso, é ágil - grande parte preenche duas ou três "séries", com seis cartelas cada, uma por rodada. São duas premiações por vez: ganha quem preenche antes dos demais uma linha ou uma cartela completa. A prefeitura de Santo André diz que as casas de bingo da cidade só operam porque conseguiram decisões judiciais. Como em outros municípios, como São Caetano e São Paulo, a prefeitura afirma que não emite licenças de funcionamento para estabelecimentos ligados a jogos de azar. ALVARÁJá o gerente de outra casa, recém-aberta em São Caetano, reclamava dos cerca de 50 apostadores do início da tarde de ontem. "É que todo mundo acha que só em Santo André tem bingo funcionando. Isso atraiu muita gente de outros Estados e nosso sucesso acaba sendo lento", explica ele, que pediu o anonimato "porque esse negócio de jogo é muito delicado". Há 19 anos no "ramo", diz que tentou reabrir casas em São Paulo, mas desistiu, por não conseguir alvará. A primeira casa reaberta na cidade foi o Bingo Visconde, reinaugurada no mês passado. Na capital, a maioria das casas está na zona sul, como o Interbingo, o Teotônio Vilela e o Colonial, reaberto no mês passado, e agradam a diversas camadas sociais. O Colonial tem bar refinado e serviço de valet, para servir à maioria do público que chega em automóveis. O Cruzeiro do Sul, na avenida de mesmo nome na zona norte, é mais popular e a proximidade com o Terminal do Tietê faz muitos passarem por ali após o trabalho. "Venho para encontrar minhas amigas e aproveitar a tarde", diz uma professora aposentada, de 65 anos, que diz gastar menos de R$ 20 quando vai ao bingo.Na altura do 2.250 da Avenida São Miguel, na zona leste, um bingo sem placas de identificação abre todos os dias às 14 horas e funciona até a madrugada. Os funcionários não informaram se o estabelecimento tem decisão judicial para funcionar e se recusaram a passar o contato dos diretores.

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