No ano eleitoral, febre também ganha Congresso

Entre parlamentares, a repaginação inclui desde implante capilar até cirurgia para a redução do estômago

Clarissa Oliveira, Ana Paula Scinocca e Eugênia Lopes, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2010 | 00h00

A tese de que beleza não põe a mesa, mas dá voto, não é exclusividade dos candidatos ao Palácio do Planalto. No Congresso, basta alguns passos para encontrar um parlamentar repaginado. Muitas vezes avessos à malhação, eles recorrem a soluções que vão da simples tintura nos cabelos até medidas radicais, como a redução de estômago.

Um dos exemplos mais bem sucedidos é o do senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Depois que diagnosticou o diabetes, caiu na faca e reduziu o estômago. Agora, exibe feliz sua nova silhueta. Perdeu 38 quilos e, hoje, com apenas 64 quilos, causa espanto ao dividir com a assessora um prato no restaurante do Senado. "Nunca tive problema de autoestima porque sempre fui gordo. Mas agora meu pique está a mil", diz o senador.

Colega de partido de Torres, o Heráclito Fortes (PI) perdeu 25 quilos depois da cirurgia para perda de peso. A justificativa é a mesma: saúde. "Estava com pré-diabetes, dor nas costas e apneia", diz ele, que pôs aparelho nos dentes da arcada inferior. "Estava com problema de fala."

Lutando contra a balança há anos, o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), pôs um balão no estômago em fevereiro. Já emagreceu 18 quilos. "Se tudo der certo, vou perder no total 26 quilos", diz o parlamentar, que pesava 136 quilos. "Estava hipertenso, com o colesterol alto e com dificuldades de locomoção."

Aos 55 anos, o petista garante que não é vaidoso: "Nunca penteio o cabelo e o máximo de estética com que me preocupo é usar perfume". Detalhe: ele é careca.

Implante de cabelo, por sinal, é o tratamento mais recorrente entre políticos. O médico Fernando Bastos, de Pernambuco, é o "queridinho" dos parlamentares. Fez o implante no ex-ministro José Dirceu e do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), José Múcio Monteiro.

"Vejo pelo menos dois deputados por mês, no meu voo, voltando de Recife com um boné. Aí já sei que ele foi fazer implante", diz o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), que não tem problemas de calvície. O mais recente cliente do médico pernambucano é o deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO). Ele apareceu com um chapéu na festa do centenário de nascimento do ex-presidente Tancredo Neves, em Minas Gerais. Constrangido, admitiu o implante.

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