No Brasil, uma vaga no governo vale mais do que a Presidência

A primeira eleição presidencial realizada no Brasil depois da redemocratização reuniu, em 1989, candidatos de praticamente todos os partidos importantes. O vencedor, Fernando Collor de Mello, concorreu por uma legenda nanica, o PRN. Esse é um cenário impossível de se repetir nos dias de hoje.

Análise: Marcelo de Moraes, O Estadao de S.Paulo

22 de março de 2010 | 00h00

Na época, possivelmente atiçados pelos 25 anos de exclusão das corridas sucessórias, procuraram estabelecer um projeto político de poder. Ou, pelo menos, tentar.

Essa visão garantiu ao eleitor um cardápio de opções de encher os olhos. Além de Collor, a disputa incluiu Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Leonel Brizola (PDT), Mário Covas (PSDB), Paulo Maluf (PDS), Ulysses Guimarães (PMDB), Aureliano Chaves (PFL), Guilherme Afif Domingos (PL), Roberto Freire (PCB), Afonso Camargo (PTB), Ronaldo Caiado (PSD), Fernando Gabeira (PV). Foram 22 candidatos ao todo, sem contar a vetada tentativa de última hora de Silvio Santos para concorrer pelo PMB. Alguns desses nomes até podem ser criticados. Mas os partidos estavam todos na disputa, defendendo suas propostas.

Hoje, as conveniências políticas falam mais alto. Vale mais negociar um bom acordo de participação num futuro governo, por meio de um ministério, ou um apoio regional numa eleição para governo do que se arriscar na conquista do voto majoritário.

Por isso, com raras exceções, a imensa maioria dos partidos tem deixado de lado suas candidaturas presidenciais. Prefere discutir a melhor aliança a ser feita. Isso talvez explique situações como a do PMDB, que cedeu o candidato a vice numa chapa liderada pelo tucano José Serra, em 2002, e, oito anos depois, aceite o convite para indicar o companheiro de chapa da petista Dilma Roussef contra o próprio Serra. E nada impede que estejam juntos outra vez no futuro.

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