No Campo Limpo, Centro de Inclusão não tem rampas

Quem precisa de atendimento tem de subir 35 degraus

Marici Capitelli, O Estadao de S.Paulo

04 de novembro de 2008 | 00h00

São 35 degraus para chegar a um setor cuja missão é atender crianças e adolescentes com deficiências. Parentes e portadores de necessidades especiais têm de enfrentar esse obstáculo dentro da Subprefeitura de Campo Limpo, na zona sul de São Paulo, para receberem auxílio no Centro de Formação e Acompanhamento à Inclusão (Cefai), órgão da Secretaria Municipal de Educação.Como grande parte das mães não consegue subir com os filhos, as técnicas descem ao térreo para avaliar as crianças. Só que aí vem outro constrangimento: a avaliação da criança ocorre no meio da praça de atendimento, em público.Ontem, Monica de Oliveira, de 32 anos, levou o filho Gustavo, de 7, com tetraparesia, para ser avaliado pelo Cefai. A avaliação é necessária porque, a partir do próximo ano, o menino terá de cursar a rede municipal regular de ensino. Quando tentava subir as escadas com a cadeira de rodas, que pesa 35 quilos, um motoboy ajudou a mãe. "Fiquei comovido em ver a mãe e a criança com tanta dificuldade", disse Fábio Ferreira.No meio do trajeto, um funcionário informou que eles deveriam voltar ao térreo porque profissionais desceriam para avaliar o menino. "Foi horrível. Se nós estamos falando em inclusão social, como temos de enfrentar esses degraus e esse atendimento público? Fiquei muito constrangida."Enquanto Mônica e Gustavo enfrentavam dificuldade de acessibilidade, o mesmo acontecia com o casal Marcia Silva e Marcelo Lacerda, ambos de 36 anos. Deficiente visual e com uma bengala, ela só conseguiu acessar o primeiro andar, para chegar à Diretoria de Educação, apoiada no braço do marido. Ele, além de segurar a mulher, carregava o filho Enzo, de 7 meses. O casal foi tentar uma vaga na creche."Só conseguimos vir aqui hoje porque estou de folga. A minha mulher não teria a menor condição de vir sozinha", disse o marido. Para complicar, quando eles estavam no meio das escadas, um funcionário foi pedir para Marcelo tirar o carro da frente do prédio, pois seria multado. O vigia só havia deixado o veículo lá porque a única vaga existente para deficiente estava ocupada pelo carro de Mônica. "Implorei para me deixarem estacionar alguns minutos no estacionamento da subprefeitura, mas não deixaram", reclamou.A Subprefeitura de Campo Limpo informou que o prédio é alugado e passa por reformas. O térreo já está preparado para atender a deficientes. Para o 1º andar, onde funciona a Diretoria de Educação e o gabinete do subprefeito, está prevista a instalação de elevador.

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