No carrinho de supermercado, o corpo do filho

Com o filho de 14 anos assassinado a tiros por traficantes, o vigilante Alfredo Timóteo, de 57 anos, resolveu descer o Morro São José Operário, no Catumbi, próximo ao Centro do Rio, com o corpo do jovem num carrinho de supermercado. A cena aconteceu na madrugada de hoje e lembrou outra, vista na Rocinha há pouco mais de um mês, quando policiais carregaram o corpo de um homem num carrinho de mão.Alegando que ouviu da polícia que o carro do Corpo de Bombeiros não sobe morros de madrugada, Timóteo entregou o corpo do filho num posto da PM num dos acessos ao morro.O menor C.R.T. estava em casa com o pai e o irmão de 8 anos quando foi morto por um primo, identificado como EdilonSiqueira Santos, de 32 anos, que invadiu a casa na companhia de oito homens armados pouco depois da meia-noite. De acordocom a polícia, o bandido é ligado a uma das facções que disputam o controle das bocas-de-fumo da área, que fica entre os morros rivais do Zinco e da Mineira. ?Eu estava jantando e ele entrou dizendo: perdeu, perdeu. Levaram meu filho para fora e o mataram. Eu ouvi pelo menos uns vinte tiros?, disse Timóteo. Os bandidos ainda cortaram partes do cadáver.Logo após o crime, o pai esteve na delegacia policial da Cidade Nova.Segundo ele, os policiais o teriam aconselhado a levar o corpo para o asfalto porque nem os peritos da Polícia Civil nem os bombeiros subiriam àquela hora para fazer a perícia e a remoção. Ele então utilizou um carrinho de supermercado que utilizava para revender ferro-velho. ?Não tinha outro jeito. Para mim foi adequado para não deixar ele lá jogado diante das pessoas que passavam e viam?, disse Timóteo consternado.

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