No centro, 200 mil celebram Gonzagão

SP promove 30 h de Virada Nordestina; Serra subiu ao palco para cantar

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

20 Julho 2009 | 00h00

Xaxado, forró, coco, xote, ciranda, embolada e, é claro, o baião não poderiam faltar nos três dias de shows em homenagem a Luiz Gonzaga, no Vale do Anhangabaú, centro da cidade mais nordestina do País. Mais de 200 mil pessoas, segundo estimativa da Guarda Civil Metropolitana, enfrentaram o frio em mais de 30 horas de shows da Virada Nordestina. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), subiu ao palco com Dominguinhos, no sábado. Eles cantaram Baião Número 1, de Luiz Gonzaga. Dois palcos foram montados. Houve também apresentações de bonecos de mamulengo, performances sobre pernas de pau e danças do maracatu. O tempero nordestino invadiu as barracas de comidas típicas. Ontem, o irrequieto Antonio Nóbrega tocou violino de joelhos e desceu do palco para dançar com o público. Sem reclamar, os seguranças fizeram escadinha para ajudá-lo a voltar ao microfone. "São Paulo é a cidade de muitos nordestinos e faltava um evento como esse. Luiz Gonzaga soube entender a música do sertão e trazê-la para os grandes centros", disse o multi-instrumentista pernambucano. Alceu Valença encerrou o evento, ontem, com um show misturando acordes de guitarra e sanfona. "Gonzagão foi o primeiro a difundir a música nordestina dos emboladores e repentistas. Ele teve o papel relevante de fazer o Brasil olhar para dentro", disse Valença. Repertório de outros nordestinos ilustres fizeram parte do espetáculo, como Jackson do Pandeiro e Sivuca. O evento ainda teve a sanfona de Dominguinhos, a voz potente de Elba Ramalho, a inovação do Cordel do Fogo Encantado, a simplicidade da Banda de Pífanos de Caruaru e o repente da dupla Caju & Castanha. Gutemberg Dantas, de 39 anos, 9 deles em São Paulo, acredita que o evento ajuda a valorizar a cultura nordestina. "Muitos não conhecem a própria cultura", disse ele, que tem a bandeira de seu Estado, Pernambuco, tatuada na perna.

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