No centro, dupla de ''funk-cabeça''

Adriana Pires, do grupo de funk Fulerô o Esquema, cantou certa vez uma de suas músicas perto do filho de 5 anos. Foi imediatamente repreendida pela criança por falar palavrão. "É um palavrão com significado político-social", respondeu, deixando o filho sem entender direito o que ela queria dizer. Junto com Paula Pretta, as duas formam uma banda alternativa que toca no circuito underground da região central da cidade e que faz bastante sucesso entre o público gay. Elas surgiram junto com o pancadão da Lov.e, na Vila Olímpia, festa que ajudou a popularizar o funk em boates da parte mais rica da cidade e que hoje não existe mais. Foram produzidas por DJs hypados da noite da cidade, como Camilo Rocha e o DJ Will Robinson. A dupla acredita que a linguagem do funk é transgressora e que permite a crítica social, mesmo que de forma escrachada. "Acho um avanço ver tantas mulheres cantando. É uma visão feminina do mundo, mesmo que às vezes essas letras venham contaminadas pelo olhar machista. O importante é que agora as mulheres estão se mostrando cada vez mais", diz Paula. Ela acredita que trata-se de um novo tipo de feminismo, que valoriza o homem e a feminilidade das mulheres. Aproveitando-se da onda do funk, em maio, as duas vão tocar na China em um festival latino-americano com mulheres do continente. Gostariam também de entrar no circuito das boates das periferias, mas o "funk-cabeça" por enquanto tem menos espaços que os funks das popozudas. Ano passado, contudo, estiveram na Parada Gay em Itaquera, na zona leste, junto com a transexual Cláudia Wonder. "Foi um barato. No final do show, chegaram uns garotos para falar com a gente, apresentando o namorado: ?Olha só, esse aqui é o meu mino?", recorda-se Paula.

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