No check-in, mais gente que trocou dia do embarque

A placa azul no início da fila do check-in da Air France anunciava ontem o mesmo voo (AF 447), no mesmo horário (19 horas), com o mesmo modelo de aeronave (Airbus A330). A pedagoga Janaína Silva, que perdeu dois amigos na tragédia, chorava. Ela contou que havia programado a viagem para domingo, mas mudou para ontem - apesar de completar um mês de casamento nesse dia - porque a passagem custava R$ 1 mil a menos. O italiano Omar Zagnoli, administrador de sistemas que mora em Vila Velha (ES) com a mulher e os dois filhos brasileiros, também contou que embarcaria no domingo, mas quis fazer surpresa para a mulher, aniversariante na segunda-feira. "É difícil falar nesse momento, pois muitos morreram, mas meu primeiro pensamento foi: ?me safei?. Foi a melhor surpresa do mundo. Nasci de novo", disse ele, devoto de São Francisco. A nutricionista Fernanda Zefrian estava com o filho, Rafael, no colo. Eram mais dois "sobreviventes". Ela também estaria no voo de domingo se a família não tivesse insistido tanto para que a festa de 1 ano do garoto fosse no Brasil. "É difícil falar. Meu marido está esperando na França. Não sei explicar. Acho que foi a mão de Deus." Já a angolana Domingas Paim, chefe de cozinha em Londres, se dizia tranquila. "O que tem de acontecer acontece. Não está nas minhas mãos." Antes de embarcar no mesmo voo, a arquiteta Elizabeth Recagño estava "morta de medo". "Quando cheguei aqui, pensei em desistir. Mas sonhei tanto com essa viagem. Vou tomar uma pastilhinha para dormir." A engenheira Vânia Ferreira parecia segura. "Não tenho medo. Foi uma fatalidade. O transporte aéreo ainda é o meio mais seguro." Já o francês Gabriel Andrieu contou que sempre toma calmante em voos. "Hoje a dose é mais forte", revelou, antes de viajar às 16h20. O número de passageiros nos dois voos da Air France que partiram ontem do Aeroporto do Internacional do Rio não foi informado. Apenas a média da ocupação das aeronaves ontem e anteontem - 80% - foi fornecida. Segundo a empresa, a venda de passagens foi "normal" e não houve desistências.

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