JF Diorio/AE
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No comício final, Dilma pede 'serenidade'

No Sambódromo de São Paulo, sob forte chuva, petista promete erradicar miséria; Lula usa discurso para tentar ajudar Mercadante

Malu Delgado, Adriana Carranca, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2010 | 00h00

Sob forte chuva e sem estar cercada pela retórica insuflada de petistas que já previram a vitória em 3 de outubro, a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, finalizou ontem a temporada de comícios da campanha pedindo "serenidade" para "derrotar o medo e o ódio que tentam fazer a característica principal desta eleição".

"Ninguém pode tirar a gente do rumo nem do prumo", afirmou a petista, no Sambódromo de São Paulo, lotado. Dilma fez dois compromissos explícitos: erradicação da miséria e "melhoria das condições de vida da classe média". "Queremos que o Brasil inteiro seja composto por classe média forte, pujante", disse.

Diante da oscilação negativa nas últimas pesquisas de intenção de voto, mas ainda com perspectiva de vencer no primeiro turno, segundo a sondagem do Ibope feita entre os dias 21 e 23, a candidata disse que evitará fazer prognósticos até 3 de outubro.

Com a chuva, Dilma falou aproximadamente por nove minutos, encerrando rapidamente o discurso. Em coletiva ao fim do evento, a petista disse que não vai "subir no salto" e achar que está eleita.

A candidata relembrou a eleição de 2002 quando, segundo ela, tentaram "implantar o medo para impedir que Lula fosse eleito". "Novamente nós vamos vencer esse medo", afirmou, repetindo a tese do "amor pelo Brasil".

Antitucano. O presidente Lula, último a discursar, também pediu ostensivamente voto na petista, mas dedicou a maior parte do comício para tentar ajudar o correligionário Aloizio Mercadante a ir para o segundo turno em São Paulo com Geraldo Alckmin (PSDB).

"É preciso acabar com essa história de tucano governando São Paulo", afirmou Lula. "Está na hora de a gente colocar uma estrela para governar este Estado." O presidente convocou a arquibancada lotada do Anhembi a militar pelo petista. "Se tiver vizinho tucano ou que tem medo do PT ou do PC do B, convide esse vizinho para assistir ao debate (dos candidatos ao governo de São Paulo, marcado para hoje à noite, na TV Globo) na sua casa, ofereça um cafezinho para ele ver quem é melhor candidato, porque eles vão ver que é o Mercadante", pediu o presidente.

Petróleo. Lula passou boa parte do discurso referindo-se à capitalização da Petrobrás concluída na sexta-feira, para exploração do Pré-Sal. Relembrando o período de metalúrgico grevista, disse que quando passava em frente à Bolsa de Valores de São Paulo as portas eram fechadas por medo dele. "O pessoal da bolsa tinha medo de mim", disse.

"Foi um dirigente sindical, de quem os empresários tinham medo, que é responsável pela maior capitalização do capitalismo", disse, enfatizando se tratar do maior evento de capitalização do "planeta Terra".

Lula pediu empenho da militância para levar Mercadante ao segundo turno. "A gente tem uma semana em que tem que pegar todos os espaços, com faixas, adesivos, camisetas. Vamos ter que ocupar cada espaço desta cidade e deste Estado para que possamos no dia 3 eleger Mercadante", afirmou Lula.

O candidato ao governo de São Paulo disse que a pesquisa Vox Populi aponta o segundo turno. O presidente criticou a gestão tucana enfaticamente. "O governo do Estado acha que não tem pobre, porque eles vivem só dentro daquele palácio." O PT estimou que cerca de 25 mil pessoas participaram ontem do evento no sambódromo.

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