No Congresso, uma base inquieta prestes a explodir

De volta do recesso parlamentar, deputados governistas demonstram que a paciência com a presidente Dilma Rousseff está se esgotando e já não escondem as críticas. Mais do que as habituais reclamações, eles estão incomodados com o que consideram uma deliberada estratégia da presidente de carimbar nos congressistas a imagem de que assumem cargos no Executivo para fazer "negociatas" e que todos são "chantagistas".

Denise Madueño, O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2011 | 00h00

Parlamentares aliados dizem que a CPI dos Transportes só não foi criada porque atingiria o PR. "Não haverá CPI quando a denúncia atingir o PR, o PMDB, o PP ou o PTB. Mas quando alguma denúncia pegar eles (PT ou Palácio do Planalto), uma CPI será criada sem dó nem piedade", avisou um deputado aliado.

A maneira da presidente de tratar seus aliados é criticada até por petistas. Um integrante da cúpula do PT resumiu: "Ela quer mandar, não quer governar". Outro parlamentar, do PMDB, faz uma analogia com as dificuldades enfrentadas pelo presidente dos EUA, Barack Obama, no relacionamento com o Congresso e ironiza: "Republicano nos olhos dos outros é refresco".

Na primeira reunião de líderes após o recesso com a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais), os aliados não se animaram com a notícia de pagamento de R$ 1 bilhão de emendas parlamentares incluídas no Orçamento de 2011 neste mês. Eles exigem o compromisso de um calendário de liberação até o final do ano junto com os recursos de orçamentos anteriores inscritos nos chamados "restos a pagar".

O programa de incentivo à indústria lançado na terça-feira serviu de comparação negativa: "O governo abre mão de R$ 25 bilhões em incentivos fiscais e quer pagar uma parcela de R$ 250 milhões de emendas", disse um aliado. Os deputados estão preocupados em garantir que o dinheiro chegue para as obras nos municípios antes da eleição.

Alvo da faxina de Dilma, o PR é o único da base que se queixa abertamente. "A presidente faz um governo que amarra a base", disse o líder do PR, Lincoln Portela (MG). "A Câmara só vota medida provisória, acordos internacionais e projeto de urgência. Os parlamentares não têm mandato. São mandados."

O líder do PP, Nelson Meurer (PR), disse que a liberação dos recursos para as obras é importante para que os líderes possam comandar a base durante as votações no plenário.

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