No Copan, ação resgatou auto-estima

Síndico fez trabalho com moradores

por Niza Souza, São Paulo, O Estadao de S.Paulo

30 de novembro de 2007 | 00h00

O administrador de empresas Affonso Celso Prazeres de Oliveira, de 68 anos, é um exemplo de dedicação à comunidade. Ele é síndico, há mais de 14 anos, de um dos cartões postais da cidade, o Edifício Copan, no centro. E pode-se dizer, sim, que o condomínio é uma comunidade. São 32 andares, 1.160 apartamentos e cerca de 5 mil moradores. Mais gente do que muitas cidades do interior. É muita gente, admite ele, "e complexo para administrar". Mas Affonso, carioca de nascimento e paulistano de coração, tem se saído bem.Assumir o cargo de síndico da "maior área construída em concreto armado" - são 116 mil metros quadrados de área construída - foi um incidente. "Não me candidatei. Presidi uma assembléia, certa vez, e correu tudo tranqüilamente. Daí fui chamado para presidir outras ao longo de 1992. O síndico eleito renunciou e acabei assumindo", relembra. Quando aceitou o desafio, diz, o prédio estava degradado e quase 40% dos apartamentos estavam vazios. Hoje, tem até fila de espera para alugar e a valorização foi de quase 300%. "Um apartamento que custava de R$ 7 mil a R$ 9 mil, hoje vale R$ 46 mil."Mas antes de começar a acertar os problemas estruturais e financeiros do condomínio, Affonso empenhou-se em recuperar a auto-estima dos próprios moradores. "Antes de qualquer coisa, temos de aprender a nos respeitar. Isso vale para qualquer comunidade", diz.A primeira ação concreta para isso foi a chamada "teoria do capacho", inventada pelo síndico. "A partir do momento que o morador aceita o prédio como sua casa, ele teria de colocar um capacho na porta. Como quem diz: você vai entrar na minha casa, limpe os pés", explica. "Hoje, as pessoas passam pelos corredores e ficam encantadas com o número de capachos nas portas, com o capricho que as pessoas têm. Esta foi a primeira grande vitória."Mas como em toda comunidade, o convívio entre as pessoas cria muitas vezes conflitos. É muito difícil conseguir que cada um conheça seu espaço e respeite o do outro. Este é o grande desafio do síndico. "Tem gente que diz que eu sou chato, autoritário. Mas síndico é assim. Temos de saber dizer não. Digo não pra tanta coisa: uso da garagem, volume do som. Não existe horário para fazer barulho. O horário é: se o vizinho reclamou vai ter de abaixar o som, senão leva uma multa."SEGURANÇAComo o edifício é antigo, vários problemas estruturais surgem. Mas a questão da segurança precisou de uma estratégia especial já que o Copan é muito grande. "Cada portaria (são oito) tem um computador e criamos uma sala de segurança para vigiar o prédio todo." Além dos moradores, outras nove mil pessoas transitam pela galeria do edifício, diariamente.

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