No Datafolha, Dilma e Serra voltam a aparecer em situação de empate técnico

Sucessão. Tucano aparece com 39% das intenções de voto, e petista, com 38%.Resultado contrasta com dois levantamentos divulgados nos últimos dias, do Ibope e do Vox Populi, que indicavam 5 pontos porcentuais de vantagem para a candidata do PT

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2010 | 00h00

A mais recente pesquisa Datafolha, feita entre os dias 30 de junho e 1.º de julho, indica um empate técnico entre José Serra e Dilma Rousseff na corrida presidencial. O tucano aparece com 39% das intenções de voto, e a petista, com 38%.

O resultado contrasta com dois levantamentos divulgados nos últimos dias, do Ibope e do Vox Populi, que indicavam 5 pontos de vantagem para Dilma (40% a 35%).

Depois que Ibope e Vox Populi fizeram suas entrevistas, foram exibidos em rede nacional de rádio e televisão diversos anúncios de 30 segundos do PSDB que promoveram a candidatura do tucano.

A própria pesquisa Datafolha traz evidências de que a exposição midiática pode ter impulsionado Serra. Metade dos entrevistados disse ter visto propaganda do tucano na TV nos últimos 30 dias, e apenas 34% responderam o mesmo em relação a Dilma.

Nos dias 26 e 29 de junho, o PSDB exibiu em todo o País um total de 20 anúncios de 30 segundos, distribuídos ao longo da programação das emissoras.

Apesar de perder a batalha pela exposição na mídia, Dilma aparece como líder no quesito expectativa de vitória. Para 43% dos entrevistados, ela será a vencedora das eleições. Outros 33% acham que Serra será o próximo presidente.

Evolução. No levantamento anterior do Datafolha, feito em maio, Serra e Dilma também apareciam empatados ? cada um tinha 37% das intenções de voto.

Desde então, a região em que o tucano mais avançou foi a Sul, onde passou de 38% para 50%. No mesmo local, Dilma perdeu terreno, de 35% para 33%. No Sudeste, onde também lidera, o candidato do PSDB ampliou sua vantagem de 10 para 13 pontos porcentuais.

Em seu principal reduto, o Nordeste, Dilma passou de 44% para 47%, ampliando a vantagem sobre Serra de 11 para 17 pontos porcentuais.

No Norte/Centro-Oeste, os dois adversários avançaram: a petista de 40% para 42%, e o tucano, de 34% para 38%.

Gêneros. Diferentemente do Ibope, que pela primeira vez havia registrado um empate entre Serra e Dilma no eleitorado feminino, o Datafolha mostrou o tucano com larga vantagem nesse segmento.

Entre as mulheres, Serra tem 45% das preferências, 15 pontos porcentuais a mais do que a primeira mulher com chances de chegar ao Palácio do Planalto.

Entre os homens, dá-se o inverso: 46% deles pretendem votar em Dilma, e 34%, no tucano.

Terceira força. A candidata do PV, Marina Silva, aparece com 10% das intenções de voto na pesquisa Datafolha. Em relação ao levantamento anterior do mesmo instituto, feito em maio, Marina oscilou negativamente 2 pontos porcentuais.

A região em que a candidata verde aparece mais bem colocada é a Sudeste, com 13%. Entre os eleitores com curso superior, ela chega a 19% das preferências.

Todos os dados se referem ao cenário em que foram apresentados aos entrevistados um cartão com os nomes dos três principais candidatos. Quando os chamados "nanicos" foram incluídos na lista, Serra obteve 39% das preferências, e Dilma, 37%.

Confronto direto. Em um eventual segundo turno entre Serra e Dilma, o tucano teria 47%, e a petista, 45% ? um empate técnico. O mesmo ocorria um mês atrás, quando eles tinham 45% e 46% do eleitorado, respectivamente.

Os dois candidatos também estão empatados tecnicamente na pesquisa espontânea, na qual os entrevistados manifestam suas preferências antes de ler a lista de candidatos. A petista aparece com 22%, e o tucano, com 19%. Há ainda 10% de eleitores que se declaram dispostos a votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no candidato de Lula ou no candidato do PT.

A parcela de eleitores que rejeita a hipótese de votar em Serra caiu de 27% para 24%. Já a taxa de rejeição de Dilma se manteve estável, em 20%.

Tempo na TV. A rodada atual de pesquisas é a última a captar os efeitos da propaganda partidária ? instrumento que, pela lei, deveria servir para divulgar as atividades e as propostas das legendas, mas que, na prática, serve como plataforma para os candidatos.

O cronograma de programas partidários e inserções se encerrou em junho. Agora, os candidatos só poderão fazer campanha na televisão em agosto, com o início do horário eleitoral gratuito.

Em um provável cenário com 11 presidenciáveis, Dilma ocupará, três vezes por semana, 10 minutos e 25 segundos em cada um dos dois blocos de 25 minutos da propaganda dos presidenciáveis. Isso equivale a 42% do total.

Já Serra ocupará 7 minutos e seis segundos no palanque eletrônico ? o equivalente a 28% do tempo total. Marina, que não conseguiu se coligar a nenhum partido com representação forte na Câmara dos Deputados, terá apenas 1 minuto e 12 segundos em cada bloco de propaganda.

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