No dia da estreia da petista na TV, PT estimula debate sobre Farc

Partido vai participar do 16.º Foro de São Paulo, instância da esquerda da América Latina, que ainda discutirá controle da mídia

João Domingos / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2010 | 00h00

No dia da estreia do programa eleitoral dos candidatos à Presidência - 17 de agosto -, o PT vai jogar a candidata Dilma Rousseff em mais uma polêmica envolvendo a suposta ligação do partido com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Não bastasse isso, os petistas vão entrar também em outro debate que Dilma afirma abominar: o controle social dos meios de comunicação.

Nesse dia, 16 petistas, entre eles o deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP), um dos principais coordenadores da campanha de Dilma, estarão em Buenos Aires para participar da abertura do 16.º Foro de São Paulo - a instância cuja meta é a socialização da América Latina e do Caribe.

O documento preparatório do encontro de Buenos Aires, ainda em sua versão em espanhol, afirma que é preciso fazer o controle social da mídia. E diz que o resultado do pleito presidencial no Brasil influenciará todo o processo eleitoral na América do Sul e no Caribe, notadamente na Argentina no ano que vem. Por isso, prega a eleição de um candidato de esquerda.

Os principais idealizadores do Foro, criado em 1990, foram o hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-deputado Plínio de Arruda Sampaio, que disputa a Presidência pelo PSOL. Lula decidiu convocar partidos de esquerda da América Latina e do Caribe depois de receber a visita, em sua casa, em São Bernardo, do então presidente de Cuba, Fidel Castro.

Representantes das Farc estiveram nesse Foro, realizado em São Paulo, fazendo com que a guerrilha aparecesse como uma das fundadoras da instância esquerdista, assim como o Exército de Libertação Nacional, ambos da guerrilha colombiana.

Pesquisas. O tucano José Serra decidiu explorar essa suposta ligação do partido de Dilma Rousseff com as Farc. Tem insistido no tema, amparado por pesquisas qualitativas que apontariam para possíveis prejuízos eleitorais à petista caso consiga deixar no eleitor certa desconfiança quanto à ligação com a guerrilha terrorista. O assunto foi trazido à campanha pelo vice de Serra, Índio da Costa (DEM).

O secretário executivo do Foro, Valter Pomar, da ala mais à esquerda do PT, afirmou que as Farc nunca participaram dessa instância das esquerdas da América Latina e do Caribe. "Os partidos de esquerda latino-americanos estão implementando estratégias que combinam luta eleitoral e luta social. A maioria desses partidos apoia, na Colômbia, o Pólo Democrático Alternativo, que já disputou duas eleições presidenciais", argumentou. As Farc, na visão dele, preferem conduzir a guerrilha.

O ex-vereador Edson Albertão (PSOL), de Guarulhos, um dos poucos que assumem abertamente ter contatos com as Farc, lamentou que o PT tenha decidido rejeitar a participação de grupos como as Farc no Foro de São Paulo. "Eu não concordo com isso. É uma inflexão à direita, discriminatória e odiosa a um grupo que definiu sua forma de luta não porque quis, mas porque foi obrigado a isso", disse.

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