No enterro, só gritos de ''justiça'' quebram silêncio

O silêncio pela manhã, no Cemitério da Vila Alpina, zona leste de São Paulo, foi quebrado por gritos de "justiça". Por volta de meio-dia, o corpo de Ana Cristina de Macedo, de 17 anos, morta na segunda-feira passada por uma bala perdida em Heliópolis, foi enterrado. A polícia ainda não sabe se o tiro partiu de um GCM ou de um criminoso. A família pretende processar a Prefeitura de São Caetano.

FELIPE ODA e DANIELA DO CANTO, O Estadao de S.Paulo

03 de setembro de 2009 | 00h00

A cerimônia foi acompanhada por parentes e amigos da vítima, que gritaram durante o enterro: "Justiça para Ana Cristina," "Mas toda aquela bagunça na favela de Heliópolis não trará a menina de volta", lamentava Therezinha de Souza, avó de Bruno Souza, namorado de Ana Cristina.

"Agora, eu só espero poder trabalhar e criar a minha filha", disse o jovem durante o velório da namorada, realizado na madrugada na Comunidade Evangélica Jerusalém, em Heliópolis. O jovem falou com Ana Cristina no início da tarde da segunda-feira, quando eles combinaram uma ida dela para Carapicuíba - cidade da região oeste da Grande São Paulo - neste fim de semana prolongado do feriado de 7 de Setembro. "A lembrança dela que me vem à cabeça é com a minha filha no colo", contou.

Ana Cristina e Bruno namoravam havia três anos. Eles se conheceram em Heliópolis, onde Bruno morava antes de se mudar para Carapicuíba. Quando ele recebeu a notícia de que a namorada havia sido baleada, estava em casa dormindo, pouco antes da meia-noite. "Cheguei ao hospital umas 3 horas e ela já estava morta."

Bruno definiu Ana Cristina como ótima pessoa e mãe, carinhosa e amorosa. Nas horas livres, o casal gostava de frequentar o cinema, shopping e parques. Ele evitou apontar responsáveis pela morte da namorada. "Não posso culpar ninguém", disse.

Segundo ele, o casal alternava os dias da semana para cuidar da filha. Nos fins de semana, os três costumavam ficar juntos. "Ela (a filha) ainda não sabe de nada. Ela chama pela mãe e ninguém fala nada", disse.

Muito emocionada, a mãe da adolescente não conversou com a imprensa durante o velório."A menina fica perguntando pela mãe. Diz: ?cadê a mamãe Aninha??", ressaltou Therezinha.

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