No escritório de Serra, discussão foi até 5 horas da manhã

Desde que o nome do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) recebeu cartão vermelho do DEM, o presidenciável tucano José Serra começou a operar, em encontros reservados em São Paulo e por meio de telefonemas, a solução para o impasse. A preocupação no início era evitar que a crise expusesse excessivamente o candidato, embora fosse quase impossível dissociá-lo dela.

Bastidores: Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2010 | 00h00

Na véspera da convenção do DEM, anteontem, Serra assumiu as negociações, que migraram de um hotel em São Paulo para seu próprio escritório, uma pequena casa na Vila Madalena. Lá, o tucano recebeu na madrugada de ontem o ex-governador Aécio Neves, que foi participar do encontro com o presidente do DEM, Rodrigo Maia, e o prefeito paulistano, Gilberto Kassab, principal articulador de Serra na sigla aliada. A reunião começou na madrugada e se estendeu até às 5 horas da manhã de ontem. Houve breve pausa e depois novo round pela manhã. Restava uma dúvida: se o nome seria do Rio (Indio da Costa) ou de Minas (Carlos Melles). No fim da manhã, a decisão foi tomada. Kassab e Maia voaram para Brasília.

Quando as reuniões começaram, na segunda-feira, a ideia era que Serra se preservasse e não participasse da discussão no varejo. Mas, como o encontro vazou, teve de ir até a casa de Kassab na madrugada de terça-feira prestigiar os aliados.

Entre um risoto servido pelo prefeito e as reclamações do DEM, o tucano tentou quebrar o gelo, dizendo que para ele, notívago confesso, era ótimo ir a reuniões naquele horário. Serra delegou a operação política ao presidente do PSDB, Sérgio Guerra, que, acompanhado de Cícero Lucena (PB) e João Almeida (BA), foi a campo negociar com o DEM. Só quando o impasse se tornou evidente chamaram FHC, que até então estava fora do País. Não adiantou. O DEM não aceitava Dias.

Com os aliados, Serra foi pragmático. Avaliou que a crise em torno do nome do vice não teria reflexos do ponto de vista eleitoral. O assunto interessaria apenas a políticos e jornalistas.

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