No Estados, favoritos têm apoio de Lula 'a la Ferrari'

Acordo entre aliados prevê que presidente apoie na TV líderes nas pesquisas e ignore [br]os mal posicionados

João Domingos / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2010 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os dirigentes dos partidos que apoiam a petista Dilma Rousseff decidiram aplicar na campanha ao governo, nos Estados, a tática usada pela Ferrari nas corridas de Fórmula 1. Consiste em ajudar quem se encontra em melhor situação na disputa, nem que para isso tenha de atropelar o parceiro.

A fórmula foi costurada pelos presidentes do PT, José Eduardo Dutra, do PMDB, Michel Temer - também candidato a vice na chapa de Dilma -, do PSB, Eduardo Campos, e dos demais aliados. Segundo o acordo, daqui a 15 dias Lula começará a gravar mensagens de apoio ao aliado que estiver em primeiro lugar nos Estados em que há palanque duplo de apoio a Dilma Rousseff.

Por exemplo: se na Bahia a situação for a mesma de hoje, em que o governador Jaques Wagner (PT), candidato à reeleição, está na frente, e o segundo colocado for um concorrente de oposição (Paulo Souto, do DEM), o ex-ministro Geddel Vieira Lima, do PMDB, será jogado para escanteio.

Lula gravará mensagem de apoio a Jaques, na tentativa de resolver a disputa logo no primeiro turno. Se a situação se inverter, e na frente estiver Geddel, a mensagem será para ele e não para Wagner.

Estão na mesma situação da Bahia os Estados de Santa Catarina, Ceará, Rondônia, Maranhão, Alagoas, Amapá, Mato Grosso, Paraíba, Pará e Goiás. Assim, os aliados nesses Estados aguardam o próximo mês para contar com o apoio de Lula.

Segundo um dirigente partidário que participou do acordo, a decisão de esperar o início de setembro foi tomada porque é preciso verificar como o eleitorado reagirá depois dos programas eleitorais na TV. Quando só restar um mês para a eleição, o presidente Lula entrará em cena e passará a ajudar o aliado que estiver na frente.

Sem mensagem. Poderá ocorrer ainda de Lula não gravar para ninguém, se em primeiro e segundo lugares aparecerem aliados. No momento, essa é a situação do Rio Grande do Sul, onde o petista Tarso Genro está à frente de José Fogaça, do PMDB. A tucana Yeda Crusius está em terceiro lugar. Se, por acaso, até o início de setembro, ela chegar ao segundo lugar, e jogar um aliado para terceiro, o que estiver em melhor situação contará com o apoio de Lula.

Para não se envolver em disputas internas, Lula gravou mensagens de apoio apenas para Aloizio Mercadante (PT), em São Paulo, Agnelo Queiroz (PT), no Distrito Federal, Alfredo Nascimento (PR), no Amazonas, Osmar Dias (PDT), no Paraná, Hélio Costa (PMDB), em Minas Gerais, e Sérgio Cabral (PMDB), no Estado do Rio.

Em Mato Grosso do Sul o presidente gravou mensagem de apoio a Zeca do PT - embora o PMDB também esteja na disputa no Estado, com a tentativa de reeleição de André Puccinelli. O peemedebista, no entanto, aliou-se ao tucano José Serra. Ainda assim, antes da gravação Lula consultou a direção do PMDB para saber se não haveria problemas. Foi autorizado a trabalhar por Zeca do PT, já que Puccinelli é da ala dissidente do partido do vice de Dilma Rousseff, Michel Temer.

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