No golpe do véu, prejuízos de R$ 300 mil

Aos menos 30 noivas já pagaram por festas que nunca aconteceram

Fernanda Aranda, Jornal da Tarde, O Estadao de S.Paulo

14 Fevereiro 2009 | 00h00

Estelionatários encontram nas festas de casamento um espaço fácil para fazer vítimas. As fraudes vão desde a produção do convite até a escolha do espaço para a festa. A Polícia Civil de São Paulo investiga pelo menos 30 casos em que noivas caíram no chamado golpe do véu. Elas pagaram por serviço de bufê em área nobre paulistana, com direito a DJ, jantar e decoração. Semanas antes, encontraram o local lacrado e nunca mais viram o dinheiro. Nesses casos, o prejuízo somado ultrapassa o valor de R$ 300 mil. As histórias recentes de casamentos que ganharam um capítulo no 96º DP (Brooklin) tiveram como antagonista o Buffet Delphos, na Rua Tuim, em Moema, zona sul, fechado desde novembro por falta de licença de funcionamento e por infringir normas de silêncio. Os proprietários não comunicaram os contratantes nem devolveram os valores cobrados. Depois de encomendar e entregar os convites, a psicóloga Érica Rubio, de 32 anos, soube do fechamento do espaço, 41 dias antes da festa. "Foi horrível. Meu pai disse: ?senta aí, preciso contar que o seu sonho acabou?", diz. "Eu só não desisti da festa porque já tinha entregado os convites, minha família estava com roupa comprada e os parentes do Daniel (o noivo) estavam vindo de Minas." Érica pagou R$ 14 mil pelo bufê. "Paguei à vista e tive um bom desconto", diz. "As vantagens que atraem as noivas são, no entanto, o primeiro sinal do golpe do véu", alerta a assessora de casamentos Márcia Possik, da Agência Marriages. "A noiva esquece que o barato sai caro. É preciso desconfiar." A assistente de Marketing Patrícia Yamanaka, de 30 anos, teve prejuízo de R$ 15 mil. Quando soube da notícia, se desesperou. "Dei cheques pré-datados que foram parar nas mãos de agiotas." Patrícia, que vai casar em maio, alugou uma chácara. Ela pagou apenas o valor da reserva, para evitar imprevistos. FALÊNCIA A transformação do conto de fadas sonhado por Patrícia em história de terror pode ser ainda mais frequente agora em tempos de crise, como alerta Marcia Christina Oliveira, assessora técnica do Procon. Além da falta de alvará, a falência pode ser outro motivo para o fechamento. Por isso, é indicado escolher locais que tenham longevidade no mercado e muitas festas agendadas. Vestido comprado, banda e filmagem contratadas e a enfermeira Alessandra Destra, de 29 anos, não conseguiu fechar negócio com o novo bufê para o casamento, marcado para novembro. "Eu vou fazer o que eu puder. Gastei muito dinheiro que não será devolvido." Maria Inês Dolci, da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), lembra que muitas vezes o que é visto como golpe está anunciado em letras miúdas nas cláusulas dos contratos, que passam despercebidos pelos noivos. Apesar do trauma, a história da professora Marjory Abuleac, de 40 anos, teve final feliz. Ela foi avisada do fechamento do bufê uma semana antes do casamento, em dezembro. "Foi a semana mais traumática das nossas vidas, mas conseguimos casar e realizar nosso sonho." Agora, Marjory espera recuperar os R$ 26,5 mil investidos. Em nota, o advogado do Delphos, Getúlio de Carvalho, informou que a lacração do estabelecimento causou prejuízos incalculáveis à empresa e principalmente a seus clientes, que sofreram o "desgosto e decepção de não ver a sua festa realizada". A nota diz ainda que os clientes serão ressarcidos e as pessoas que sofreram prejuízos e precisaram fazer suas festas em outros locais devem apresentar seus custos para o ressarcimento. Contatos devem ser feitos pelo e-mail: carvalho_gcarvalho@hotmail.com.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.