No horário eleitoral, Lula fala de crescimento e Alckmin, de saúde

Os programas eleitorais de TV dos dois candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), abordaram temas diferentes nesta tarde: enquanto o petista tratou de crescimento econômico e educação, o tucano optou por apresentar propostas para a saúde. No programa petista, Lula disse que gostaria de tratar do futuro e que, para isso, seria necessário falar sobre emprego e educação. "Os resultados mostram que estamos no rumo certo: a pobreza caiu, o emprego cresceu, a educação melhorou. Mas sabemos que o caminho é longo. Para caminhar mais rápido e garantir que o emprego e a educação melhorem, é preciso aumentar de forma consistente os investimentos públicos e privados", declarou o presidente-candidato. "Já fizemos o mais difícil: a economia está equilibrada. É o próprio equilíbrio econômico, junto com as reformas corretas, que vai trazer menos juros, menos impostos e mais progresso." Ao rogar para o atual governo a criação de 7,5 milhões de empregos, dos quais 5,5 milhões com carteira assinada, o PT afirmou que o País poderá ampliar o quadro ocupacional por conta da retomada da indústria naval, com a construção de plataformas no Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul, além dos projetos de ampliação dos portos. Disse ainda que pretende aprovar no Congresso Nacional a nova lei de micros e pequenas empresas para ampliar a criação de empregos. De passagem, uma apresentadora lembrou que para trabalhar as pessoas precisam antes se alimentar e, assim, destacou o papel do Bolsa Família, programa de maior ênfase do presidente na campanha. Ao apresentar depoimentos de agricultores de Cerro Corá (RN) que devolveram cartões do programa social, os petistas defenderam a tese de que o trabalho é a porta de saída para o assistencialismo. "Aqueles que falam que o Bolsa Família é um programa que acomoda as pessoas não conhecem a alma do brasileiro humilde. Ele não quer depender apenas desta ajuda, (mas) quer uma chance de crescer, de trabalhar de melhorar de vida", disse Lula. "Muita gente inclusive tem devolvido seu cartão porque já arrumou emprego", acrescentou, complementando que o novo programa de governo do PT prevê a ampliação do Bolsa Família. Na segunda parte do programa, o PT enfatizou propostas de investimento na educação. Prometeu, por exemplo, criar mais 300 mil vagas, em quatro anos, no ProUni, além das 210 mil já existentes. Declarou também que vai construir extensões universitárias e de escolas federais em todas as "cidades-pólo" do País, sem dizer, entretanto, quantas. "Meu novo programa de governo é muito mais ambicioso que o primeiro, mas é também mais realista, porque hoje sei exatamente o que é possível fazer dentro de determinado período de tempo", disse, em tom de mea-culpa. SaúdeO PSDB, de Geraldo Alckmin, iniciou seu programa de TV logo com um embate à Lula. "Troco sim, troco o errado pelo certo", anunciou a apresentadora, rebatendo o jingle da campanha petista que diz "não troco o certo pelo duvidoso". "Estradas esburacadas, fila em hospital, escândalos, desemprego...Está errado", afirmou. Em seguida, os tucanos iniciaram o programa temático sobre saúde. "Se tem uma área que tenho obrigação de acertar, é na saúde. Até porque sou médico, passei boa parte da minha vida cuidando de gente, diminuindo a dor das pessoas", testemunhou Alckmin, para depois enfatizar o trabalho e empenho dado à saúde enquanto foi governador de São Paulo. Citou a construção de 19 hospitais construídos pela administração dele em São Paulo, responsáveis pelo atendimento de mais de 4 milhões de pessoas por ano. Acentuou que, entre os melhores hospitais do País, apenas três são públicos e que "os três são do Geraldo". Os tucanos também enfatizaram projetos de saúde que consideram terem sido bem-sucedidos em São Paulo, caso do Centro dos Idosos, a expansão da Fundação Para o Remédio Popular (Furp), a criação do programa Dose Certa - de distribuição gratuita de medicamentos -, e a construção de uma fábrica de vacinas. "Hoje, o governo Lula está cobrando remédio de quem não pode pagar e eu vou levar o remédio de graça", prometeu Alckmin, adicionando que, se eleito, retomará os programas de mutirão do Ministério da Saúde, realizados pelo então ministro José Serra, de combate à pressão alta, diabetes e câncer de mama, em parceria com os governos estaduais. Na mesma linha de ataque, o tucano voltou a criticar o presidente da República por ter dito que o sistema de saúde brasileiro "beira a perfeição". "O Lula disse outro dia que a saúde no Brasil está quase perfeita. Eu quero saber se você, que está esperando por uma consulta no especialista, concorda com isso", disse. "É claro que não." Alckmin prometeu criar centros de médicos especializados em todo o País, em parceria com prefeitos e governadores, que oferecerão exames de raio x, ultrassonografia, mamografia e eletros e com a presença de médicos especialistas, como cardiologistas, fisioterapeutas, ortopedistas, ginecologistas e oftalmologistas, entre outros. "Saúde não é discurso", insistiu. Além disso, afirmou que, se a rede pública de hospitais funcionar corretamente, "meio caminho já estará andado". "vou começar pelos hospitais federais do Rio de Janeiro, que estão muito mal", declarou. O programa do PSDB também se valeu de depoimentos de nordestinos que vivem em São Paulo para pedir votos aos conterrâneos para Alckmin, numa tentativa de reduzir a larga vantagem que Lula obteve na região no primeiro turno da eleição e que se confirmam nas pesquisas de intenção de voto neste momento. O programa do PSDB terminou com declarações de apoio a Alckmin vindas do governador eleito de São Paulo, José Serra (PSDB), do reeleito em Minas, Aécio Neves (PSDB), e do ex-governador e agora senador eleito por Pernambuco, Jarbas Vasconcellos (PMDB).

Agencia Estado,

14 de outubro de 2006 | 17h59

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