No horizonte, os dois governantes miram dividendo com affair

A aproximação da presidente Dilma Rousseff do governador Geraldo Alckmin parece seguir um antigo lema dos manuais políticos, o de que a boa prática é aquela em que dois se somam e ambos obtêm dividendos - inclusive eleitorais.

Iuri Pitta, O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2011 | 00h00

Nos últimos dias, a petista e o tucano fizeram questão de posar para fotos lado a lado, o mais distante possível do Fla-Flu que marca a disputa PT-PSDB e se personificou nos antecessores de ambos (Lula e José Serra) e no ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Conforme interlocutores dos dois lados, nem Dilma nem Alckmin pretendem se livrar das vestes partidárias e mudar de lado da trincheira. O que eles querem é melhorar suas imagens e tentar transmitir a ideia de que as relações políticas podem amadurecer no País, mesmo em meio a tantos escândalos políticos no noticiário.

Da parte dos tucanos, há mais boa vontade em receber Dilma do que havia com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2003, Alckmin assumiu o Bandeirantes na condição de pré-candidato a presidente e sabia que seu adversário, como acabou ocorrendo, seria o próprio Lula em 2006. O mesmo aconteceu com Serra em 2007, então o nome mais cotado para concorrer ao Planalto à frente do bloco de oposição.

Neste ano é diferente. Até agora, Alckmin desconversa sobre o sonho de disputar a Presidência novamente, pois o senador Aécio Neves (MG) tem supostamente a prioridade no PSDB. Sem a tensão eleitoral pela frente, Dilma pode tentar construir uma imagem de estadista, pairando acima da disputa partidária e eleitoreira. À parte o óbvio bônus de ter o caixa reforçado pelos recursos federais, Alckmin tenta mostrar amadurecimento político depois das derrotas em 2006 e em 2008 (Prefeitura).

Num governo em que o norte é construir um "País de classe média", como a presidente defendeu na campanha e na posse, Dilma e Alckmin parecem ter captado a proposta feita por FHC no artigo O Papel da Oposição, publicado em abril: o PSDB pregará no deserto se disputar com o PT influência sobre o "povão". No mesmo texto, ele também pede ousadia para dar vida "não a diretórios burocráticos, mas a debates verdadeiros sobre os temas de interesse dessas camadas" que são chamadas "sem muita precisão de "classe C" ou de nova classe média". Colocar projetos que melhorem a vida das pessoas à frente das disputas é o primeiro passo.

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