No interior ainda se jejua na Quaresma

A professora Maria Aparecida Grando de Campos, de 46 anos, coordenadora de uma escola particular de Sorocaba, vai deixar de comer carnes até o dia 14 de abril, sábado de Aleluia. De família católica, ela quase não vai à igreja, mas adota a abstinência durante a Quaresma e em parte da Semana Santa. "E olha que sou carnívora." Maria Aparecida conta que abster-se do que gosta é uma forma de fazer penitência e agradecer por ter comida à mesa todos os dias. "Muita gente não tem o que comer." Como ela, muitas pessoas no interior não comem carnes vermelhas durante o período da Quaresma, que vai da quarta-feira de Cinzas à Semana Santa. Segundo a liturgia católica, o período corresponde aos 40 dias em que Jesus Cristo jejuou no deserto, antes da Paixão. No interior, a abstinência só termina no domingo do Páscoa. Em Tatuí, na região de Sorocaba, o consumo de carne vermelha é reduzido nesse período. "Registramos uma queda de 25%, mas nas sextas-feiras chega a cair mais de 50%", conta o comerciante Júlio Lecioli, dono de uma casa de carnes. Em Capela do Alto, a maioria dos açougues não abre durante a Semana Santa. A dona de casa Adelina Patsdorf Casari de Oliveira, que integra a comunidade da paróquia de São Judas Tadeu, em Sorocaba, também faz jejum e abstinência, mas somente na sexta-feira Santa. "Nesse dia a gente não come nem peixe, pois comer bacalhau não é jejuar."

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